Jornais brasileiros sofrem censura de Temer. The Intercept publica o que foi proibido

Grave.

 
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A pedido do Governo de Temer, dois dos maiores jornais do Brasil – a Folha de S. Paulo e o Globo – foram proibidos pela Justiça de Brasília de publicar uma reportagem sobre uma tentativa de extorsão sofrida pela primeira-dama Marcela Temer, no ano passado.

Tanto a Folha como o Globo foram forçados, esta segunda-feira, a retirar do ar os artigos sobre o assunto, que o The Intercept de Glenn Greenwald considera ser “de grande interesse público”. Este órgão de comunicação social, que procura “defender e apoiar a liberdade de imprensa em todo o mundo”, sintetiza este acontecimento como “um grande ataque à liberdade fundamental de imprensa” e avançou com a publicação dos dados proibidos.

Com esta decisão, o The Intercept marca uma forte tomada de posição“Não há nada mais perigoso do que políticos e tribunais aliados para determinar o que jornais podem ou não publicar, e faremos o possível para rectificar esses ataques ao direito à informação”, defende num artigo aqui publicado, ao qual anexa cópias das informações e documentos partilhados pelo Folha e, de seguida, pel’O Globo, obtidos através de registos públicos.

Em 2016, Marcela Temer, mulher do presidente Michel Temer, foi vítima de uma tentativa de chantagem por um hacker que clonou e roubou os dados do iPhone da primeira-dama. Silvonei José de Jesus Souza, o hacker que acabou condenado a 5 anos e 11 meses de prisão, exigia perto de 100 mil euros para que o material, incluindo fotos íntimas, não fosse divulgado. A reportagem do Folha descrevia algumas algumas das mensagens de chantagem enviadas a Marcela Temer pelo WhatsApp, não comprometendo a privacidade dos envolvidos, segundo conta o Intercept.

“O presidente Temer e sua esposa negaram que o material hackeado revele qualquer irregularidade. No entanto, na sexta-feira, onze minutos após a Folha publicar o artigo, o presidente enviou os seus advogados para requerer, em nome da sua esposa, uma ordem judicial para que os jornais tirassem as reportagens do ar e não publicassem mais materiais sobre o conteúdo das conversas no futuro”, lê-se no artigo do Intercept. “Alegações de que o presidente do país tenha incorrido em actividades ilegais ou anti-éticas devem ser resolvidas através da análise das evidências, e não pela censura de jornais.”

O jornal de Glenn Greenwald, que teve um papel fulcral no caso Snowden em 2013, deixa claro que a sua única motivação é a defesa do jornalismo, não descantando, por exemplo, o apoio da Folha de São Paulo a Temer durante o impeachment, que denunciou no Verão passado: “Os dois jornais atacam a liberdade de imprensa de outros veículos regularmente. A associação por eles controlada entrou com um processo que busca negar a liberdade de imprensa a veículos como BBC Brasil, El Pais Brasil, BuzzFeed Brasil e The Intercept, pedindo aos tribunais que determinem que não podemos fazer reportagens sobre o Brasil. E, ironicamente, esses dois veículos apoiaram o impeachment de uma presidente eleita democraticamente, Dilma Rousseff, levando Temer ao poder.”

 

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