Obrigado, 2017

Ainda agora começou e, para mim, isto é tudo o que interessa.

Esta brincadeira ainda agora começou e 2017 é já dos anos mais mediáticos que os meus 26 viveram. Muito por se ter comprovado que os americanos são o povo mais idiota que existe. Já não bastavam reality shows onde compete a melhor faca, rednecks que hipotecam carros à pancada, lojas de penhores com os maiores carochos de Detroit e tudo o que mais não interessa – agora fizeram da sua vida o pior reality show de todos. Mas para aqueles que a musica é mais importante que tudo o resto, a coisa nem anda assim tão mal. Pelo contrário.

Ok, até podemos por a musica de parte por uns momentos e apenas pensar que Twin Peaks está de volta. A melhor série de todos os tempos. Até tenho medo. Tanto que ainda nem consegui ganhar a coragem suficiente para rever tudo de novo. Mas até lá, isto é tudo o que interessa.

At The Drive-In

Cut away, cut away. Send transmission from the one armed scissor. CUT AWAY, CUT AWAAAAY! Desculpem, mas grito isto, religiosamente, todos os dias desde que At The Drive-In foi confirmado para o Paredes de Coura. Preferencialmente, enquanto cozinho. Disse que tinha 26 anos, certo? Agora devem imaginar o porquê deste tesão todo. Vivi a cena post-hardcore e tudo onde o Omar Rodriguez metia o bandulho, era ouro. E estes, são dos meus prediletos. Disco novo, sim é alto comeback e já ia ser das melhores coisas deste ano. Mas ver ao vivo? A sério?! É o chamado phodei-vos, que em 2017 mais nada interessa.

TOOL

O Spotify é uma merda. Porque acabo a ouvir sempre as mesmas coisas. Porque anúncios. Porque a Vodafone me tirou o Premium grátis. Porque eu sou um gajo forreta. E, acima de tudo, porque não tem Tool. Mas 2017 tem. Ou pelos menos, tudo indica que é desta. Alguém disse que 10 anos é muito tempo? Pois, já vão duas mãos cheias desde que o 10,000 Days saiu, e já ando há demasiado tempo ouvir dizer que é este ano. Mas, alegadamente, já há material produzido que chegue para dois discos e são cabeças-de-cartaz no Festival Governors Ball, talvez queira dizer qualquer coisa. Maynard, larga lá os vinhos e faz esse favor à malta. Porque se for mesmo desta, nada mais interessa.

Arcade Fire

Num requintado almoço com colegas de trabalho, discutiu-se música. Há coisa melhor para se falar enquanto se come aquele prego maroto do Nunes? Com aquele cruzamento de gerações que tanto a publicidade nos oferece, saiu uma pergunta que ainda hoje me dá comichões – “diz-me uma banda, dos dias de hoje, que aches que vai ficar para a história”. Tramado, não é? Alguém respondeu, e bem, o nome destes gajos. Não podia concordar mais. Desde o Funeral (2004) que o som muda de álbum para álbum. Sempre incrível. Sempre Arcade Fire. O Reflektor (2014) já foi uma cena bem fora e em 2017 há coisinhas novas. Já saiu uma malha e já me deixou curioso o suficiente para Arcade Fire subir na lista de prioridades a ver no Primavera Sound de Barcelona. No fim deste almoço, nada mais interessou.

Mastodon

Estes gajos são os maiores. Porque têm videoclips com twerks. Porque fizeram daí as melhores cuecas de sempre – Asstodon!!! Porque são altos geeks, tocam para caralho. Porque fizerem o Crack The Sky! Treinos militares e viagens ao interior da lua para promover o novo disco (a sério, vão ver os vídeos no Facebook deles). Porque são os gajos mais bem dispostos do metal. E isso ouve-se. Mesmo que o tema do novo disco seja o cancro. E se 2016 foi dominado pelo hip hop, esta malta vai sair à rua para mostrar que aqueles preferem preto a todas as cores ainda são tudo o que interessa.

Nin Inch Nails

Saudades do industrial. Saudades das texturas, da atmosfera, do caos. Mais uma vez, obrigado 2017. Obrigado por trazeres tanta coisa de volta e por uma delas ser NIN. O Trent Renzor é dos maiores bosses desta vida e andava com demasiado tempo ocupado a produzir bandas sonoras. Incríveis, claro. Mas já estava na altura de voltar a brincar à bandas. O último Hesitations Hounds não me tinha enchido as medidas, mas o novo EP Not The Actual Events lançado no fim do ano passado é peso. E se o novo disco que vai sair for assim, só peso vai interessar.

Jamiroquai

“Puto, estou a escrever um artigo tipo previsões para 2017. Lembras-te de alguma cena relevante?” – o regresso do Jamiroquai. Claro, quem nunca. Mesmo com todo o hype que já tiveram em tempos, continuo a achar um dos nomes mais underrated da música de dança. A vibe é optima e a nova malha também. Viram aquele capacete? Já estou mesmo a imaginar aquilo ao vivo – tudo bem escuro e só as luzes a sair da cabeça daquele mano a fritar os reis da grade. Para eles, nada mais vai interessar.

Crystal Fairy

Odeio o conceito de superbanda. Na verdade, tudo o que tem super – super-heróis e supermercados também valem. De super, não têm nada. Mas OK, faz todo o sentido aproveitar o sucesso dos artistas em outras bandas para promover uma nova – ainda mais quando um deles é o Omar Rodriguez (sim, ele outra vez). Crystal Fairy é o novo projecto e desta vez com malta de Melvins (Buzz Osborne e Dale Crover) e a miúda das Le Butcherettes (Teri Gender Bender). Na teoria, tem tudo para bater certo. Na prática, as primeiras malha soam fortes. Vamos esperar pelo lançamento a 24 de fevereiro, pela Ipecac Recordings, e ver se realmente é tudo o que interessa.

Primavera Sound Barcelona

Saiu o cartaz do Primavera Sound de Barcelona. Que jarda! Todos os anos a mesma coisa – aguentas ou não aguentas, até sair o do Porto. Este foi o ano em que não aguentei. Death Grips, Apex Twin, BBNG, Converge, Swans e Flying Lotus? Como assim? Grace Jone e Van Morrison? Para tudo. Run the Jewels, Angel Olsen, King Krule e Arcade Fire? Reyes Blood, Preoccupations, Sleaford Mods, Pond, The Growlers, Mitski, Slayer, Elza, Fatima Yamaha e King Gizzard & The Lizard Wizard? Quem nunca. Assim, basicamente fiz a minha lista de prioridades. Mas não está fácil. E nunca achei que houvesse tomates ou dinheiro para trazer alguns dos nomes que daqui, já têm sido confirmados pelos festivais nacionais. Mas tudo junto no mesmo? OK, nem que porque 200 euros de bilhete já voaram, este ano só mesmo Primavera interessa.