Pôr a vida dos Wet Bed Gang no ouvido

Entrevistámos os rappers e o realizador André C. Santos sobre o último projecto que fizeram em conjunto.

Fotografia: Marco Brandão

Pôr A Minha Vida No Teu Ouvido teve esta terça-feira, 21 de Fevereiro, a sua primeira exibição no Salão Nobre da Vialonga e os Wet Bed Gang foram os protagonistas. Ao fim de alguns meses de produção, o primeiro capítulo da história de Rossi foi revelado ao público no dia em que o pai da família Wet Bed Gang completaria 31 anos.

Foi para saber mais sobre esta história e conhecer os rapazes que fazem parte deste movimento que fomos até aos Nirvana Studios – local onde têm passado parte do seu tempo. Num curto intervalo entre as novas obrigações dos putos da v-block e com a preciosa presença do realizador André Santos, responsável pelo documentário, trocámos algumas impressões e pudemos perceber o que motivou e como nasceu este trabalho.

Quem são os Wet Bed Gang

Fabrizzy, irmão de Rossi, foi o principal porta voz na apresentação do grupo:

“Primeiro que tudo é o grupo que o Rossi fundou há cerca de 4 anos. Actualmente é composto por 2 responsáveis e 4 artistas: Gson, Kroa, Zizzy e Zara G; esses bruxos aí. Já todos rimavam mas Wet Bed Gang é uma espécie de dream team; juntámos o Real e o Barcelona;”

Mais unidos desde a morte do seu membro fundador fazem questão de sublinhar a importância da inspiração de um dos mais velhos que cresceram a observar.

“O sonho dele era fazer disto vida, viver da música; e a partir do momento em que ele morreu pusemos na cabeça que tínhamos de fazer isto a sério.”

O mundo tem de conhecer a sua história

Fortalecidos pela circunstância da morte de Rossi, os WBG fazem do legado de motivação deixado por este parte importante nas suas músicas. Uma inspiração comum ao realizador André C. Santos e que culminou nesta natural colaboração em formato documentário.

André C. Santos: Eu já tinha a ideia de fazer alguma coisa a homenagear o Rossi, um videoclip, um vídeo mais experimental, por aí. Depois surgiu um convite do Gson para filmar o concerto no Titanic Sur Mer, passámos do concerto para filmar o dia todo e a coisa foi escalando até termos esta ideia de fazer um mini-documentário para contar a história.

GSON: Se calhar é uma tradução mais universal do que nós somos; às vezes um gajo tenta expressar-se pela música e a mensagem pode não passa assim bem e graficamente, com imagens e vida a acontecer as pessoas percebem melhor o que se quer passar;

André C. Santos: Quando se filma um documentário sobre uma pessoa é preciso criar o laço de confiança para quebrar a barreira da câmara mas com eles foi tranquilo, porque já os conheço há bastantes anos. De todos o que conheço melhor é o Fabinho porque jogámos à bola juntos mas um dos primeiros vídeos também foi para um deles. E isso foi uma mais valia!

Não recorri muito a planos bonitos e a uma estética perfeita, a linguagem com a câmara é para quem vê sentir que está: em cima do palco, no telhado com eles;

Dia 21 era o aniversário do Rossi e é quase um gesto simbólico – mesmo que tivesse só metade do documentário seria apresentado.

Planos para o futuro

Depois dos últimos singles terem feito sucesso considerável no youtube, os WBG não se iludem mas atiram com certeza:

“Em 2017 vamos rebentar a tuga; já temos aí um EP que vamos lançar brevemente. “

É essa certeza aliada à dedicação uma heranças das mais visíveis dos #filhosderossi.

Em nota final e porque tornaram possível este documentário não podemos dispensar a nota de agradecimentos do realizador André Santos: 

“Ao Filipe Feio e Luis Silva pelas fotos, ao Bernardo Lima Infante pelas fotos analógicas e pelas imagens extra. Ao António Santos pelo  tema original para o documentário, sonoplastia e masterização do audio. Ao Fábio Barbosa (o irmão do Rossi, o Fabinho), ao Eric Silva, ao Gonçalo Cruz (Psico, responsável pela Caverna) e ao Tchoras por terem colaborado na pesquisa de imagens em arquivo, tanto fotos como videos, e por disponibilizarem todos esse material. À Kruella D’Enfer pelo Lettering para o titulo do filme. À Rita Grazina pelo design dos cartazes.

Um especial agradecimento aos pais do Rossi, Silvana Barbosa e Alfredo Barbosa, por atenderem ao meu pedido de me deixar filmar objectos e fotografias do Rossi. À FIM por estar a dar o apoio necessário desde o uso de material de imagem interno até à divulgação do projecto.”

Fotografia Nirvana Studios: Marco Brandão

Fotografia Ante-estreia: Miguel Oliveira

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