Trump, alterações climáticas e “blackout” mediático: o que está em causa?

A primeira semana da presidência de Trump contou com várias decisões controversas.

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Donald J. Trump parece cada vez mais empenhado em restringir a acção das agências federais ambientais dos Estados Unidos da América. Depois de logo no dia da tomada de posse ter apagado as páginas relativas às alterações climáticas do site da Casa Branca e ter afirmado recentemente que considerava que o movimento ambientalista estava “fora de controlo”, Trump ordenou agora à Agência de Proteção Ambiental (EPA) que cessasse todos os contactos oficiais com membros da comunicação social, tendo enviando ordens semelhantes aos departamentos da Agricultura e dos Serviços Humanos e de Saúde. O “blackout” mediático imposto pelo Presidente dos EUA inclui ainda a proibição de comunicados de imprensa, actualizações de blogs e publicações em redes sociais a partir de contas oficiais do Governo.

A primeira semana da presidência de Trump contou com várias decisões controversas no que diz respeito a questões ambientais. Para além do blackout imposto à Agência de Proteção Ambiental, Trump ordenou a suspensão temporária da atribuição de bolsas e novos contratos à mesma agência, tendo também assinado uma ordem executiva para resumir a construção dos oleodutos Keystone XL e Dakota Access Pipeline, previamente cancelados por Barack Obama após períodos de intensa contestação por parte de nativos locais e ambientalistas. A administração do novo Presidente tinha ainda intenções de retirar todos os dados científicos publicamente financiados sobre as alterações do clima do site da EPA, tendo, contudo, recentemente concordado em adiar a decisão temporariamente.

Face a uma enorme contestação por parte da população e em particular da comunidade científica norte-americana, a Administração de Trump afirmou que este tipo de restrições são uma prática frequente em alturas de transição de poder já que dão oportunidade ao novo executivo para reavaliar e possivelmente congelar contratos ou regulamentos com os quais não concordam. No entanto, várias figuras de peso norte-americanas já vieram contestar esta visão, alegando que a suspensão de contratos poderá prejudicar investigações científicas já em curso.

Bob Cord, director de assuntos públicos na Sociedade Americana de Bioquímica e Biologia Molecular, disse ao The Huffington Post que “qualquer esforço feito no sentido de travar uma agência científica de responder a instâncias congressionais, federais, estatais e até locais poderá acarretar consequências arrepiantes. Senador do estado de Vermont e recentemente candidato a presidência dos Estados Unidos da América, Bernie Sander foi outra das figuras que se opôs veementemente à política ambiental de Donald Trump, afirmando que “o Presidente Trump ignorou as vozes de milhões e pôs os lucros de curto-prazo da indústria dos combustíveis fósseis à frente do futuro do nosso próprio planeta”. Sanders comprometeu-se ainda perante o eleitorado norte-americano a fazer “tudo o que lhe for possível” para impedir a construção dos novos oleodutos.

Em resposta às ordens de blackout mediático imposto por Trump, começaram a surgir no Twitter várias “contas fantasma” de departamentos federais com ligações a Agência de Proteção Ambiental, numa iniciativa que ganhou enorme popularidade ao longo da última semana. Maioritariamente intituladas de contas de resistência não oficiais, estes perfis têm feito várias publicações quer a criticar a postura da nova administração norte-americana quer a reforçar a importância de dados científicos que apontam para a realidade das alterações climáticas.

Entre alguns dos departamentos que aderiram oficiosamente ao movimento das “rogue accounts” estão a NASA, o Serviço Norte-Americano de Parques Nacionais, o Departamento da Agricultura e a própria Agência da Proteção Ambiental.