Álcool Club, Orteum e Uno num memorável brinde em família

Uma noite que ficará na memória de manos/primos e todos os membros deste movimento de seguidores do rap cada vez mais consciente que os álcoolicos vão fazendo em Portugal.

Foi no Sábado, dia 18 de Março, que no Titanic Sur Mer, se reuniu a família para uma ode aos ritmos e à poesia. Os dias que passaram ainda não foram suficientes para atenuar a emoção e aclarear o racíocinio sobre as perfomances, pelo que o que me apraz começar com um: foda-se, finalmente! Não que algum dos nomes do cartaz seja especialmente restrito ou difícil de apanhar por aí, mas pela conjugação que factores que tornou esta noite especial. O cardápio era curto mas chegou para alimentar mesmo os mais sedentos de rimas para a cachola, não fosse o prato principal o Rap Proibido dos AlcoolClub.

O primeiro a subir ao palco foi Uno, o nome mais pequeno do cartaz que se agigantou perante uma sala bastante composta. Com o à vontade crescente ao longo da actuação a deixar a emoção servir melhor cada uma das suas barras, foi partilhando com o público o seu intrigante imaginário com a ajuda de Benny Broker e Pilha, a quem se juntaram pontualmente Vácuo, Rita e TK.

À chegada não reunia grandes expectativas, à saída deixou a certeza de que tem um belo futuro pela frente. Sem querer entrar em comparações, nem forçar analogias, a verdade é que a vibração do momento nos levou a recordar os primeiros sons de Nerve e isso só pode ser um sinal.

Orteum foram os senhores que se seguiram e quem melhor para agitar a multidão e livrá-la de alguma dormência que as drogas (álcool incluído) pudessem ter induzido aos mais sensíveis. Mass, Nero e Tilt subiram acompanhados do DJ APU e passaram no teste do balão: nada de álcool no sangue, nas veias só lhes corre rap. É pelo menos essa a sensação que fica depois de praí 45 minutos a plenos pulmões.

ORTEUM

O grupo, que apesar da tenra idade dos membros já conta com alguns anos de estrada, apresentou algumas faixas da sua última edição Perdidos & Hashados, contando com a preciosa colaboração de L-Ali e Vácuo, e outros da anterior mixtape (uma reunião dos temas do grupo numa versão com a formação alargarda).  E, sabem que mais, mostraram no que se traduzem os anos de dedicação numa actuação enérgica e sempre com boa resposta do público.

O grande momento da noite estava guardado para a subida dos Álcool Club a palco, uma verdadeira reunião de família para apresentar o mais recente rebento, Rap Proibido. E não se estranhe a metáfora paternal num texto sobre rap, a emoção justifica (e a idade dos intervenientes também).  Praso e Súbito subiram ao palco acompanhados do mc Sangue Bom, de Richard Beats responsável por coordenar as batidas, Thundercuts nos pratos e com o adorno especial de Gabriel de Rose, reforçando as notas jazzísticas tão importantes na música dos odissinensescom uma prestação notável na guitarra, que tanto serviu as melodias do álbum como aproveitou o espaço que lhe foi dado para acrescentar algo mais.

Alcool Club

Num concerto marcado pela apresentação de novas faixas, praticamente todas decoradas a esta altura do campeonato, não faltaram clássicas ou temas do álbum anterior, como Nasty Girl ou Sério que serviram para provar ao preconceito que nem álcool nem droga nenhuma fazem esquecer a poesia, e deixar o público ao rubro.

Pelo palco, neste encontro, passaram Sara D. Francisco, que empresta voz ao refrão de “Equílibrio”, e os mcs Keni, D. Nigga,  Beware Jack e Mass, convidados que se foram acumulando no palco e mostrando a vez em temas como Líquido”, “Se fugimos à realidade” ou “Honesto”. Canções do novo álbum, com um teor mais introspectivo e que proporcionaram momentos de emoção verdadeiramente vividos em família.

Depois do concerto a noite ficou entregue ao Dj Thundercuts com a ordem para que só passasse temas de antes de 2000 e com Dj APU a emprestar uma mãozinha. A multidão concentrada há horas em frente ao palco começou a dispersar e o sentimento generalizado era o de missão cumprida, expresso nos sorrisos e na simpatia à saída, prolongando o bom ambiente que se viveu ao longo do concerto. Uma noite que ficará na memória de manos/primostodos os membros deste movimento de seguidores do rap cada vez mais consciente que os álcoolicos vão fazendo em Portugal.

Fotos: Marco Brandão