‘Get Out’: Jordan Peele estreia-se no terror com nota positiva

O sucesso nas bilheteiras e na crítica fazem prever um clássico dos tempos modernos.

Get Out
 
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Get Out é um filme de terror psicológico que depressa se tornará um clássico dos tempos modernos. Quem o diz é a crítica, consensualmente positiva, e o rápido sucesso de bilheteira que fez na primeira semana.

O filme conta a história de Chris Washington, um jovem afro-americano, interpretado por Daniel Kaluuya, que vai visitar os pais da namorada que habitam num misterioso subúrbio integralmente caucasiano. A visita torna-se cada vez mais estranha e desconcertante para Chris que depressa se apercebe que algo de errado se passa naquela comunidade.
É aqui que Get Out se destaca dos mais recentes títulos do género de terror, pois não se limita a recorrer aos truques de luz e som para provocar sustos no público, construindo também uma história sólida com personagens bem desenvolvidas.

Só no primeiro fim de semana conseguiu suplantar o filme The Lego Batman Movie, em termos de receitas. Com um orçamento de 4,5 milhões de dólares, Get Out conseguiu arrecadar uns espantosos 30,5 milhões nas bilheteiras norte americanas. The Lego Batman Movie conseguiu apenas 60 milhões de dólares no primeiro fim de semana, com um orçamento de 80 milhões.

Como se sucesso de bilheteira não fosse suficiente, a recepção da crítica não podia ser mais positiva. Com 138 críticas, todas elas positivas, no Rotten Tomatoes, Get Out tem a supreendente avaliação positiva de 100%. O número de críticas aumentou mas a cotação não ameaçou descer, até que chegou a crítica negativa de Armond White. Não é espanto nenhum para quem conhece o crítico, que tem a reputação de remar contra a corrente no que toca a filmes que geralmente agradam a crítica de forma consensual, sendo que o exemplo mais mediático remonta a 2010, com Toy Story 3, que durante várias semanas manteve a cotação de 100%, até White ter decidido escrever sobre o filme.

Jordan Peele, a mente brilhante por trás do guião, aborda um tema que não lhe é estranho, o racismo. Ao longo de toda a sua carreira, tanto no MadTV como mais recentemente no progama vencedor do Emmy para melhor série de conteúdos variados em 2016, Key and Peele, escreveu, dirigiu e representou sketches que abordavam o racismo. White Zombies, Negro Town e Black Ice são possivelmente os mais conhecidos e vistos no Youtube, da série Key and Peele, que abordam este tema de forma humorística. É aqui que Peele se destaca, pois mesmo saindo da sua zona de conforto, o humor, decide abordar um género totalmente antagónico, mantendo contudo o tema. A transição não parece ser díficil para Peele que afirma que “terror e comédia são similares” no sentido em que “ambos procuram provocar reações no público”, uma vez que o primeiro procura assustar e o segundo procura fazer rir, independentemente do conteúdo abordado.


Apesar do tema central ser o racismo, o filme não insinua de forma descabida que as pessoas são naturalmente racistas. Peele escreveu uma obra onde a premissa das tensões raciais se foca em inclinações que podem ser interpretadas de forma errada. No entanto, cingindo a opinião apenas ao trailer, podia afirmar-se que este é só mais um filme sobre racismo. Mas garantimos que é muito mais do que isso, e quem comprova isso, para além de Peele, é o guião e a história nele contida.

É compreensível que seja visto desta forma e prova disso é outro título, produzido pela Netflix, Dear White People, que recebeu fortes críticas aquando do lançamento do primeiro trailer, tendo sido mesmo acusado de conter uma agenda política contra caucasianos. Mas o filme conta uma história completamente diferente e prova disso é a crítica favorável que se mantém nos 91% no Rotten Tomatoes. A conjuntura política a nível mundial da actual também ajuda a que filmes, que abordem assuntos como o racismo, sejam recebidos de forma mais polarizada pelo público em geral. Contudo estas primeiras reações geralmente em resposta aos trailers, acabam por se dissipar em confronto com os filmes e as suas histórias.

Um exemplo contrário a estas ideias pré concebidas é o filme de animação de 2016, Zootopia, que em toda a sua extensão faz referência a diferenças raciais e aos perigos da inclusão de minorias na sociedade. A metáfora usada é simples, animais carnívoros integrados numa sociedade maioritariamente herbívora pode não produzir os resultados sociais esperados. O filme não só não esconde essa mensagem como nos apresenta uma solução que vai para além da amizade e tolerância, afirmando que para uma sociedade multicultural funcionar de forma sólida é preciso que todos reconheçam as suas falhas e aprendam a viver com elas.

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Get Out ainda não tem data de estreia em Portugal, mas prometemos avisar-te quando a soubermos.

[Actualização a 4/05/2017: lançado hoje, dia 4 de Maio, em Portugal]

Texto de: Daniel Silva
Editado por: Rita Pinto

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