Maria Popova, a Curadora Literária do ‘BrainPickings’

8 de Março é dia de celebrar a mulher. E que melhor forma há de o fazer senão destacar mulheres com trabalhos incríveis - Mulheres Shifter. Decidimos mostrar-vos algumas das mulheres que mais inspiraram o nosso ano, mulheres que provavelmente não conheces, mas devias!

Maria Popova

Nome: Maria Popova

Idade: 32 anos

Nacionalidade: Búlgara

Não é fácil encontrar informação sobre Maria Popova, mas não é difícil ficar a conhecê-la através do projecto que criou e alimenta diariamente.

Por adivinhação, perspicácia (ou esperança), Brain Pickings dá-nos a ideia de que Maria Popova é provavelmente uma das melhores curadoras literárias, de conteúdo web e além, que existe por aí.

Classifica-se como leitora, escritora, detective de tudo o que é interessante, uma mente curiosa no geral. No currículo tem artigos para a Wired UK, o The Atlantic, o The New York Times e o laboratório Nieman de Jornalismo em Harvard.

Brain Pickings

Brain Pickings começou em 2006, quando uma jovem ambiciosa costumava enviar e-mails semanais aos seus amigos mais chegados onde incluía uma lista de artigos que tinha achado interessantes nos últimos sete dias. A newsletter cresceu e tornou-se um site hiper completo – sem nunca ter deixado de enviar os seus mais recentes textos aos agora muitos milhões de leitores que a seguem.

O projecto é aquilo que considera um “trabalho de e por amor”, como se fosse um “pequeno” hobby que lhe ocupa mais de 450 horas por mês. Descreve-o como o seu “cofre do tesouro LEGO, cheio de peças sobre arte, design, ciência, tecnologia, filosofia, história, política, psicologia, sociologia, ecologia, antropologia, you-name-itology”.

É um one-woman-show, Maria produz conteúdo para o site sozinha, pro bono (sem anúncios e suportado por donativos de leitores) e garante que mesmo assim o retorno que recebe é incalculável. É por isso mesmo que Brain Pickings é um poço de inspiração.

Maria faz mais do que escrever sobre coisas. Acredita que a essência da criatividade é vê-la como uma força combinatória entre a nossa capacidade de explorar o nosso conhecimento, percepção e inspiração e e a capacidade de o abordar de formas novas, conectando vários pontos, recombinando todas as peças que conhecemos, criando novas ideias.

É por isso que ao escrever, por exemplo, sobre Susan Sontag, Maria escolhe falar sobre o que significa ser um ser humano moral, storytelling e os conselhos da escritora norte-americana a outros escritores. Foi também o Brain Pickings e o trabalho de Maria que nos chamou a atenção para a consciência de Albert Camus e o seu trabalho sobre a lacuna entre verdade e significado, analisando o icónico Mito de Sísifo.

É como se alguém pensasse por nós e – lá está – nos fizesse uma curadoria intelectual quase perfeita.

No Braing Pickings podes ainda encontrar ilustrações incríveis sobre os mesmos temas que Maria estuda, playlists inspiradoras e várias listas de livros que são dignas de atenção ou não fossem aconselhadas por alguém que garante ler centenas de artigos e livros POR DIA. A juntar a tudo isto, Maria Popova é uma ávida utilizadora do Twitter, que funciona como um belo atalho para os melhores posts.

Porque alguém que trabalha todos os dias para enriquecer o capital cultural de quem a rodeia, numa tentativa de que o mundo no geral seja mais contemplativo de si próprio tinha que ser uma Mulher Shifter, terminamos com um vídeo seu, obrigatório e contagiante.