O Livro Branco foi lançado. Cabe à Europa colori-lo

Os 27 Estados-Membros terão de escolher 1 cenário de entre 5, que acreditem ser o mais adequado para o futuro.

Livro Branco
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1 de Março de 2017. O dia em que a Comissão Europeia lançou o debate sobre os próximos anos na União Europeia. Chama-se Livro Branco e contém 5 cenários. Os 27 Estados-Membros terão de escolher um, que acreditem ser o mais adequado para o futuro. A propósito da comemoração dos 60 anos do Tratado de Roma, Jean Claude Juncker anunciou a inversão da política europeia. Nesta iniciativa, a bola está do lado dos países e dos cidadãos. São eles que vão debater e chegar a acordo sobre o melhor caminho a dar ao projeto europeu. Durante a intervenção de Juncker, o responsável máximo da Comissão demonstrou até alguma frustração e aborrecimento, devido às constantes críticas seja a que estratégia for.

O Livro Branco contém propostas para todos gostos. Existem cenários mais conservadores, onde a preservação do que existe é o objetivo primordial, projecções mais ambiciosas ou de continuidade ou até ideias onde se concretiza a “Europa a duas velocidades”, que até aqui não foi convencionado em discurso institucional.

O debate está lançado e procura obter respostas até às próximas eleições europeias em 2019. No discurso do Estado da União, em Setembro, Juncker já terá uma ideia geral da vontade dos estados que três meses depois poderá consolidar no Conselho Europeu.

Sofia Alves, chefe da Representação da Comissão em Portugal afirmou ao Expresso que esta iniciativa se trata de uma “mudança completa no tom”. Para a representante da Comissão, esta é uma forma de legitimar as acções da Comissão junto das pessoas e dos Estados, “uma maneira de afirmar: digam o que querem, e nós ajudamo-vos a alcançar esse objetivo, mas a responsabilidade é vossa.”

A reacção de Portugal surgiu através do Twitter oficial do Primeiro-Ministro. António Costa saudou a medida e considerou um bom começo num novo capítulo na Europa.

O Livro Branco é um abanão na União. Juncker considera que após o terramoto Brexit, seguido das réplicas do sismo Trump, a construção europeia precisa de tremer por dentro e escolher o que se segue de uma vez por todas. O presidente da Comissão, que não se recandidatará nas próximas eleições, tem a liberdade para construir as bases de uma Europa que precisa de dar respostas aos problemas do mundo. Com o avançar dos populismos e a perda de vergonha no surgimento de movimentos racistas e xenófobos, as instituições precisam de dar uma resposta sólida e cabal, deixando para trás os tremeliques e as indecisões que têm marcado a União nos últimos 10 anos.