Portugal vai testar um modelo de ensino baseado em temas e não disciplinas

A flexibilização do verbo "ensinar" vai arrancar no próximo ano.

O assunto tem sido discutido nos últimos anos por pais, alunos, responsáveis de escolas e a tutela da educação. Qual a melhor forma de leccionar nas nossas escolas, com que métodos e através de que modelos? O Ministério da Educação quer dar a resposta. Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, vai propor e debater com as escolas o novo modelo de flexibilização curricular ou pelas palavras do responsável da pasta, a flexibilização pedagógica.

O termo “flexibilização” incide sobretudo nas horas lectivas. A tutela quer encontrar soluções para um melhor aproveitamento do tempo que os alunos passam nas aulas. Assim, está em estudo a possibilidade de as escolas despenderem carga horária das várias disciplinas integrantes do ano lectivo ao estudo de um tema. Em resumo, e em semanas alternadas, os professores das disciplinas suspendem a matéria programática, guiada pelo manual, e dedicam-se ao estudo de um tema.

Sem alterar a carga horária, o Ministério da Educação transmite liberdade às escolas para definirem “até 25% do tempo lectivo semanal” por cada ano de escolaridade. Existe assim a possibilidade de autonomizar as escolas quanto à melhor maneira de implementar este sistema de ensino baseado em temas.

Importa dizer que as alterações não se ficam por aqui. Também será proposto às escolas a cooperação entre algumas disciplinas, com base nas matérias ensinadas, de modo a “fundir” unidades curriculares em tempos lectivos definidos. As crianças que frequentam o 3º e 4º ano vão ver a sua carga horária diminuída, enquanto os alunos do secundário terão a possibilidade de escolher disciplinas fora do curso que optaram.

Este novo plano propõe alterações importantes e que podem alargar o espectro do ensino nos vários anos de escolaridade. A discussão com as escolas irá dotar o modelo de variadas alterações, contudo parece saltar à vista que esta proposta coloca desafios de cooperação relevantes entre os vários actores do ensino, sobretudo professores e alunos.