Wikileaks diz que CIA consegue ignorar a encriptação do WhatsApp e outras apps

A organização de Julian Assange disponibilizou mais de 8 mil documentos que detalham a capacidade da CIA de invadir sistemas protegidos.

 
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As mensagens trocadas através do WhatsApp são encriptadas, isto é, elas estão armazenadas apenas nos nossos telemóveis e não passam pelos servidores do serviço. A encriptação garante-nos privacidade e segurança, mas existem formas de evitá-la.

Pelo menos é que a mais recente revelação da Wikileaks sugere. A organização de Julian Assange disponibilizou online dezenas de documentos que, segundo a própria, descrevem as ferramentas sofisticadas que a Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA) usa para entrar em smartphones, computadores e smart TVs.

A Wikileaks partilhou 8 761 ficheiros, que representam apenas uma primeira parte do leak entretanto baptizado de Vault 7. Os documentos terão saído do Centro de Inteligência Cibernética da CIA e detalham a capacidade da CIA de invadir sistemas protegidos. Se autênticos, fica provado que a CIA consegue ignorar a encriptação de apps como o WhatsApp, o Signal ou o Telegram – a agência entra no telemóvel e intercepta as mensagens antes de as mesmas serem encriptadas. A CIA será também capaz de, através de malware, descapacitar um telemóvel Android ou iOS no qual estejam activas contas de Twitter do Governo.

Os documentos revelados pela Wikileaks datam do período 2013-2016 e a sua divulgação é descrita pela organização de Julian Assange como a maior de sempre no que diz respeito a ficheiros confidenciais da agência de inteligência norte-americana.

Julian Assange tinha uma conferência de imprensa agendada para esta tarde, que foi cancelada depois de um alegado ataque ao livestream da mesma.

Edward Snowden reagiu às revelações da Wikileaks no Twitter. O ex-funcionário da NSA destaca que o leak “parece autêntico” e esclarece que os documentos revelados mostram que a CIA consegue ignorar a encriptação do WhatsApp ao nível do sistema operativo e não hackeando a app.

Comunicado de imprensa

Today, Tuesday 7 March 2017, WikiLeaks begins its new series of leaks on the U.S. Central Intelligence Agency. Code-named “Vault 7” by WikiLeaks, it is the largest ever publication of confidential documents on the agency.

The first full part of the series, “Year Zero”, comprises 8,761 documents and files from an isolated, high-security network situated inside the CIA’s Center for Cyber Intelligence in Langley, Virgina. It follows an introductory disclosure last month of CIA targeting French political parties and candidates in the lead up to the 2012 presidential election.

Recently, the CIA lost control of the majority of its hacking arsenal including malware, viruses, trojans, weaponized “zero day” exploits, malware remote control systems and associated documentation. This extraordinary collection, which amounts to more than several hundred million lines of code, gives its possessor the entire hacking capacity of the CIA. The archive appears to have been circulated among former U.S. government hackers and contractors in an unauthorized manner, one of whom has provided WikiLeaks with portions of the archive.

“Year Zero” introduces the scope and direction of the CIA’s global covert hacking program, its malware arsenal and dozens of “zero day” weaponized exploits against a wide range of U.S. and European company products, include Apple’s iPhone, Google’s Android and Microsoft’s Windows and even Samsung TVs, which are turned into covert microphones.

(…)

 

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