4, 3, 2, 1: há dez anos, Feist editou o disco-surpresa de 2007

'The Reminder' faz anos.

Feist
 

Ainda que Let it Die tenha vendido cerca de meio milhão de cópias, não terão sido muitos os que se atreveram a adivinhar o sucesso de The Reminder. De 2007, apenas For Emma, Forever Ago (sim, a edição de autor é de julho de 2007) rivalizará em efeito-surpresa, embora os aplausos tanto da crítica como do público só tenham explodido em 2008 quando a Jagjaguwar “oficializou” a edição. Vários meses depois de Justin Vernon ter deixado a cabana, portanto, e fazia covers da própria Feist. Os motivos para a ovação a Feist serão vários: o anúncio ao iPod Nano (e respetiva paródia), a participação na Sesame Street e, claro, as canções que o tempo só melhorou. “1234”, “I Feel It All” e “My Moon My Man” foram singles de sucesso, “The Limit to Your Love” tornou-se num clássico de James Blake, mas que saiu da caneta de Leslie Feist. Ultrapassou a barreira do milhão de unidades vendidas e garantiu nomeações para os Grammy.

Dela, o produtor do álbum Chilly Gonzales (que com Feist já tinha sido apanhado em palco, a rappar numa digressão pré-The Reminder, por exemplo) disse: “She’s really great at meeting people, and she’s a very outgoing person.” Isso é algo que se nota na carreira de Feist, a começar pela troupe Broken Social Scene, onde eventualmente passava despercebida, mas também passando pelas várias colaborações deste disco (Jamie Lidell, Mocky e do novo namorado, nada mais nada menos que Kevin Drew, e nas atuações na televisão, como esta no Letterman, acompanhada por membros dos próprios Broken Social Scene, dos National, Grizzly Bear, Mates of State e The New Pornographers, uma dream team indie que terá reinado entre dos anos 2007-2012. E continuando na linha das atuações televisivas, não tem como esquecer o entusiasmo de Thom Yorke no Jools Holland perante a versão Nina Simone da canção tradicional “Sea Lion Woman”.

Apesar da toada jazzy, The Reminder afasta por completo as estapafúrdias comparações a Norah Jones. Aqui, em registo ora intimista, ora expansivo, Feist parece mais interessada em variar territórios pop com a exploração da folk tradicional na linha de uma Vashti Bunyan, a quem haveria de honrar na versão do clássico de 1966, “Train Song”. Mas, apesar desse lado mais intimista, mais guitarra acústica à lareira, a versão deluxe rendeu dezenas de remixes, objetos dançáveis de gente como Boys Noize, Grizzly Bear, Escort e Chromeo, por exemplo.

Como curiosidade, e numa altura em que ainda não era o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama terá pedido um autógrafo que entretanto terá valorizado.

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