Uma passagem real por um dos episódios mais distópicos de ‘Black Mirror’

Um dos episódios de 'Black Mirror' dará o mote para uma exposição sobre ficção científica.

A actualidade e a audácia das profecias de Black Mirror tornam a série numa metáfora recorrente para descrições e alegorias de futuro. Seja no melhor ou no pior dos cenários, parece haver sempre uma ponte de ligação entre os mundos ficcionados e o mundo real onde caminhamos.

A diversidade de tópicos e de abordagens contemplatadas ao longo das, até agora, três temporadas fazem com que, mesmo num registo singular para uma série, Black Mirror se tenha tornado numa referência para amantes de produções com um toque de ficção científica. Conforme Charlie Brooker, o seu criador, descrevia no inicio, Black Mirror é como que um um teste aos efeitos colaterais do uso da tecnologia enquanto droga. E quantos de nós não se sentiram já agarradinhos?

Um dos episódios em que esta premissa é levada mais longe é logo o segundo da primeira temporada, “Fifteen Million Merits”, que vai ser transportado para uma grande exposição sobre ficção científica no Barbican Centre, em Londres, intitulada “Into the Unknown: A Journey Through Science Fiction”.

A ideia do episódio é simples e explica-se mesmo sem spoilers: imagina toda a tua vida reduzida a um jogo, em que, por um lado, tudo o que tens de fazer é pedalar para ganhar pontos e ser bem comportado para não os perder; e, por outro, toda a tua realidade está atrás do ecrã e apenas as maçãs são naturais. Apesar das premissas simples, já podes imaginar a densidade das questões abordadas nos 62min que dura o episódio, escritor por Charlie Brooker e pela sua mulher, Konnie Huq.

É precisamente essa experiência absolutamente imersiva e distópica que o historiador e escritor suíço Patrick Gyger, responsável pela curadoria da exposição, pretende ver recriada à entrada desta viagem pelo desconhecido.

Para o efeito, será montada uma instalação com vários ecrãs de grandes dimensões onde passarão alguns excertos e frames selecionados do dito episódio, que, ocupando o hall de entrada, dará o mote para a restante exposição.

Para além desta instalação audiovisual, “Into the Unknown: A Journey Through Science Fiction, terá em exibição algumas relíquias do universo da ficção científica, desde manuscritos originais do histórico escritor Júlio Verne, de filmes Star Wars, Star Trek, Interstellar, District 9, Alien, Jurassic Park e Godzilla.

Se ficaste curioso, ainda tens algum tempo para os preparativos – a exposição começa a dia 3 de Junho e estará presente até ao dia 1 de Setembro. Importa contudo referir que devido à previsão de enchente, o centro de artes londrino recomenda a reserva antecipada.