‘IVAN’: uma curta sobre solidão que não merece ficar só

"No dia do seu aniversário, Ivan enfrenta as consequências de uma adolescência imprudente e leviana."

IVAN

Não restam dúvidas: há putos a fazer bons filmes. Bernardo Lopes não é assim tão puto. Com 23 anos já feitos, faz parte da DAZE, um colectivo de jovens criativos apaixonados pela 7ª arte, que acabou de lançar a sua primeira produção original: IVAN é protagonizado por Salvador Nery e realizado por Bernardo Lopes.

“Cresci e vivi no Algarve toda a minha infância e adolescência”, conta-nos Bernardo numa conversa rápida por e-mail. “Fazendo uma retrospectiva dos anos que lá passei, reconheço no Algarve uma capacidade de se distanciar de tudo e de todos – de nos levar à solidão.”

IVAN é um pequeno filme sobre solidão e sobre como sair dela. A curta-metragem segue o percurso de Ivan, um jovem adulto com um conflicto interior extremamente corrosivo e angustiante. Vive no passado e no presente mas não consegue olhar para o futuro.

Ivan é um jovem adulto que se refugia da solidão e dos seus problemas num grupo delinquente liderado por Senna. Contudo, terá no seu dia de aniversário a experiência mais introspectiva e reveladora da sua vida. Emocionalmente ligado ao passado e ao presente mas incerto quanto ao futuro, Ivan terá de enfrentar as consequências das escolhas que fez ao longo de uma adolescência imprudente e leviana.

A construção de IVAN arrancou em Novembro de 2016 com uma campanha de crowdfunding bem sucedida na plataforma PPL.com.pt. O valor angariado superou em 20 euros o pedido – 1000 euros. As gravações decorreram no início deste ano em Quarteira durante uma semana que, para Bernardo Lopes, foi uma “das melhores semanas da minha vida”, segundo partilhou no seu Facebook. “Não há sensação melhor do que poder voltar a casa e filmar nos espaços onde crescemos. Como se nem o tempo tivesse a capacidade de nos distanciar do passado.”

“Apesar do lado suburbano e violento presente em toda a narrativa, fascinou-me poder representar este espaço e estes personagens com contenção e despretensão, conta-nos por e-mail. “Desta forma, construímos formalmente uma sequência de eventos que se vão desencadeando linearmente e com um de vista distante perante o objecto.”

O filme teve o apoio imprescindível do Loulé Film Office, em colaboração com a Algarve Film Commission, e também da Lusófona Filmes, organização sem fins lucrativos que apoia e promove a produção e distribuição cinematográfica para alunos do curso de cinema da Universidade Lusófona.

Bernardo Lopes apaixonou-se pelo cinema aos 13 anos quando foi escolhido para ser jurado no italiano Giffoni Film Festival. Licenciado em Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia pela Universidade Lusófona, colabora com a revista europeia Nisimazine como crítico de cinema no Festival de San Sebastian e no Festival de Cannes. No ano seguinte, é jurado no Festival Internacional de Veneza, secção Venice Days. Torna-se no representante português do projecto 28 Times Cinema, promovido pelo Parlamento Europeu e pela Europa Cinemas. Na mesma ocasião, é escolhido para embaixador português do Prémio Lux.

Realizou o seu primeiro documentário, Yuan Yuan, na China, que teve estreia mundial no Chinese American Film Festival, na Califórnia. Com LUX, a sua primeira curta-metragem de ficção e a grande vencedora da 2ª edição do YMotion, arrecadou 9 prémios e foi seleccionado para mais de 40 festivais nacionais e internacionais, tendo marcado presença no Short Film Corner do Festival de Cannes, no Lisbon & Estoril Film Festival, Festival de Curtas Vila do Conde e Fantasporto.