Paula Rego: Histórias e Segredos

Conhecida por ser muito ciosa da sua privacidade, a pintora portuguesa Paula Rego revela-se pela primeira vez num filme documental realizado pelo seu filho.

Paula Rego Histórias e Segredos

Conhecida por ser muito ciosa da sua privacidade, a pintora portuguesa Paula Rego revela-se pela primeira vez num filme documental realizado pelo seu filho, Nick Willing. Paula Rego: Histórias e Segredos estreia esta quinta-feira, nos cinemas.

O documentário revela histórias e segredos da vida excepcional de Paula Rego, desde a sua luta contra o fascismo, ao seu mundo da arte misógino e à depressão pela qual passou.

Nascida em Portugal, um país sobre o qual o pai lhe disse que não era bom para as mulheres, Rego usou as suas imagens poderosas como uma arma contra a ditadura antes de se estabelecer em Londres, onde continuou a abordar questões sobre a situação da mulher como o direito ao aborto. Mas, acima de tudo, as suas pinturas são um vislumbre críptico sobre um mundo íntimo de tragédia pessoal, fantasias perversas e verdades constrangedoras.

Nick Willing combina um grande arquivo de filmes caseiros e fotografias de família com entrevistas que percorrem 60 anos de vida e imagens de Rego a trabalhar no seu estúdio. E o resultado é um poderoso retrato pessoal da vida e obra de uma artista cujo legado vai sobreviver ao tempo, ilustrado visualmente em pastel, carvão e tinta a óleo.

Paula Rego: Histórias e Segredos teve antestreia na quarta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, com direito a homenagem à artista. Está a partir de hoje, 6 de Abril, em exibição em várias salas de cinema do país.

Dia 7 de Abril, é inaugurada na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, uma exposição no âmbito deste filme. Com curadoria de Nick Willing e Catarina Alfaro, estará patente naquele museu até 17 de Setembro. Terá cerca de 80 obras (pinturas e desenhos) de Paula Rego e do seu marido, Victor Willing. Ocupando os oito pisos do espaço, alguns dos trabalhos em exposição serão apresentados pela primeira vez publicamente.

A Cinemateca Portuguesa associa-se também a esta homenagem a Paula Rego, acolhendo um conjunto de filmes escolhidos pela artista – uma “Carta Branca” composta por dez títulos que, por diferentes motivos, mais ou menos evidentes, marcaram a artista e a sua obra. O programa pode ser consultado aqui.