Utilizadores descobrem que Unroll.me andou a vender os seus e-mails

Serviço para cancelar newsletters e mensagens indesejadas identificou, através de facturas enviadas via e-mail, clientes da Lyft e vendeu esses dados à concorrente Uber.

 
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O ditado que diz que “quando a esmola é muito o pobre desconfia” parece não se comprovar na internet e nem sequer valer a leitura atenta dos termos e condições. A demonstrá-lo está um escândalo recente causado pela revelação de que o Unroll.me estaria a vender dados sobre os e-mails recolhidos através do seu serviço a outras empresas.

A revelação foi feita numa peça do New York Times sobre a Uber e o seu CEO Travis Kalanick e não deixa margem para dúvidas. A já por si polémica Uber criou uma equipa especializada em inteligência competitiva para trabalhar em convergência com a Slice, na recolha e tratamento de dados de e-mail – e é, nesta parte da história, que o entra o Unroll.me.

A Slice é a detentora do Unroll.me, um serviço gratuito que nos permite controlar e cancelar as newsletters subscritas, mantendo a nossa inbox limpa. Para tal, damos ao Unroll.me acesso a toda a nossa caixa de e-mail. Sem publicidade, a monetização do Unroll.me é feita através da venda dos dados dos utilizadores a empresas, conforme aparece referido nos termos e condições que aceitamos, muitas vezes sem ler, antes de entrar no serviço.

O New York Times revelou que a Slice identificou, através de facturas enviadas via e-mail, clientes da Lyft que usavam o Unroll.me e vendeu esses dados à concorrente Uber. Ao mesmo jornal, a Slice confirmou que recolhe informação anónima de facturas de ambos os serviços de ride-sharing, mas não disse a quem vendia essa informação.

Já numa publicação no blogue da empresa, o CEO da Slice, Jojo Hedaya, reconheceu que muitos de nós – ele incluído – não perdemos tempo a ler os termos e condições dos serviços online pelo que prometeu clarificar a mensagem quanto à venda de dados no site, na app e no FAQ. “O resto vai manter-se igual: oferecer um serviço que devolve horas aos teu dia, protegendo a tua privacidade e segurança acima de tudo”, escreve.

Já Perri Chase, que já não está na equipa do Unroll.me mas que fundou o serviço com Jojo, defende no Medium o CEO da Slice. Explica que a recolha de dados não deveria chocar os utilizadores e, que se choca, é porque “tens estado claramente a viver debaixo de uma pedra”. Perri explica que “a razão pela qual [o Unroll.me] é usado por milhões de pessoas gratuitamente, é porque descobrimos como monetizá-lo. Os dados são praticamente o único modelo de negócio para e-mail e o Unroll.me não é a única empresa que analisa, recolhe e vende os teus dados”.

Grande parte dos serviços online que são gratuitos usam os dados dos utilizadores para fazerem dinheiro, seja através da venda de base de dados a empresas, seja pela exibição de publicidade segmentada. Estes modelos de negócio estão descritos nos termos e condições dos respectivos serviços que nós, enquanto utilizadores interessados, temos o dever de ler antes de aceitar. Contudo, sabendo-se que este não é um hábito comum, cabe às empresas criar tornar mais acessíveis as “regras do jogo”, evitando surpresas desagradáveis.

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