O que podemos esperar do novo filme de ‘Star Wars’?

Novo teaser parece introduzir Grey Jedi no mundo cinematográfico de Star Wars

A controvérsia começou bem antes do lançamento do novo teaser ou até mesmo do título The Last Jedi que apresentava letras vermelhas, à semelhança do The Empire Strikes Back. J.J. Abrams, após um excelente trabalho em The Force Awakens,  não seria o realizador do próximo filme da saga Star Wars, e em seu lugar teríamos de nos contentar com Rian Johnson. Quem conhece o trabalho de Johnson sabe que a troca não significa um enfraquecimento claro de um título para outro, muito pelo contrário, e para confirmar isso nem precisamos de ir mais além. O seu filme  Looper é um misto entre acção e drama e não só é considerado um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos, como também se revelou uma produção fantástica com um orçamento bastante modesto. Se Rian Johnson conseguiu isto com pouco dinheiro, imaginem o que ele pode fazer com a colossal Disney atrás de si. Dito isto, vamos ver o que podemos esperar no novo filme de Star Wars.

O teaser oficial do Episódio VIII inicia da mesma forma que o de The Force Awakens. Um cenário inóspito acompanhado de música calma que é interrompido abruptamente pelo pânico de um dos protagonistas. Neste caso deparamo-nos com Rey que, conforme comprova a sequência seguinte, estará a ser treinada por Luke Skywalker nos ensinamentos da Força. Isto sugere que o ritmo deste novo episódio não deverá ser muito díspar do primeiro título desta nova trilogia.

Seguem-se imagens da ilha onde Luke se isolou após a traição do seu sobrinho e pupilo, Ben Solo. Durante estas imagens ouvimos Skywalker a guiar Rey, dizendo-lhe para respirar, para se acalmar, e quando ela se acalma ele pede-lhe para “alcançar”. Se já no Episódio VII vimos imensas semelhanças entre Rey e Luke, no que toca aos seus percursos de vida – desde viverem num planeta deserto da orla exterior a serem excelentes pilotos – a tendência não parece ser agora quebrada. Luke, no Episódio V, vai treinar com um Jedi que se isolou, devido ao reaparecimento dos Sith e consequente derrota do Conselho dos Jedi, o Grande Mestre Yoda. No início do seu treino, Luke é incutido com a tarefa de fazer mover umas pedras através da Força. Neste teaser assistimos exatamente ao mesmo, Rey a ser treinada por um Jedi que se isolou (Luke) e cujas primeiros exercícios do treino são dela a levantar pedras através da Força.

Finalmente, Rey tem algum domínio sobre a Força, em contraste com os pertinentes encontros no episódio anterior. O que o video nos mostra é que, com este controlo, Rey consegue agora alcançar ambos os lados da Força, tanto a luz como a escuridão, lados esses que são personificados com as imagens de Leia Organa e dos destroços do capacete de Kylo Ren. A primeira imagem é especial para os fãs, pois esperam que a despedida da princesa de Alderaan na série seja memorável e honrosa para a atriz Carrie Fisher, que faleceu no final de 2016.

E é aqui que os detalhes começam a ser importantes. Em ambas as cenas conseguimos ouvir elementos chave da trilogia original. No close-up de Leia, ouve-se o seu pedido de ajuda a Obi-Wan, que registou na memória do R2-D2 momentos antes de ser capturada por Darth Vader. Já no close-up dos destroços do capacete do Kylo Ren podemos ouvir a icónica respiração de Darth Vader, a verdadeira personificação do lado negro da Força.

Mas Rey vê mais além dos dois lados, chegando mesmo a alcançar o “equilíbrio”, algo que Luke procurou durante anos, sendo isso visível em toda a trilogia original, em que o jovem Skywalker caminhava sempre na linha ténue entre ambos os lados da Força, sem saber que existia um ponto de equilíbrio. E para além de ver esse equilíbrio, Rey toca naquilo que parece ser um livro que tem na capa o símbolo da ordem dos Jedi, podendo este conter o código dos Jedi, ou até algo mais.

O tema aqui inserido é chave em toda a lore de Star Wars, todavia, após a aquisição dos direitos da franchise, a Disney decidiu que somente os filmes e todas as produções pós-aquisição de direitos passariam a contar para a história do universo de Star Wars. Para os fãs mais hardcore, o termo Grey Jedi, não é novidade, mas para aqueles que só conhecem apenas os filmes e/ou as séries animadas da Disney, Clone Wars e Rebels, o conceito pode parecer um pouco deslocado. Os Grey Jedi são, de forma genérica, todos aqueles que recorrem a ambos os lados da Força, sem pender tendencialmente para um dos dois. Para perceber um pouco a ideia, podemos falar de dois personagens da prequela: Qui Gon Jinn e Mace Windu, dois Mestres Jedi que não eram totalmente devotos ao lado bom da Força. Apesar de não ser canon nos filmes, Mace Windu, geralmente recorria ao lado negro em combate, para melhorar as suas habilidades, enquanto Qui Gon Jinn afirmava que não usava a Força para fazer o bem, mas deixava sim que esta o guiasse nas suas decisões, sendo somente a mão servente da sua vontade.

Com Rey a alcançar o equilíbrio – que ouvimos Luke confirmar ser maior que tudo o resto – o vídeo ganha intensidade e somos levados para uma série de imagens de diversos conflitos, inclusive o que poderia ser um novo confronto entre Rey e Kylo Ren, mas infelizmente os cenários deixam apenas essa possibilidade em aberto.

A Millennium Falcon aparece de novo em acção, mas com a ausência de Han Solo – após a morte às mãos do seu filho – pode-se apenas especular se será Rey ou Chewbacca quem a estará a pilotar. Outra cena de destaque é o iminente conflito no planeta deserto, cujo cenário parece ser bastante distinto do que estamos acostumados. O universo criado por George Lucas sempre apresentou ambientes muito semelhantes ao nosso planeta Terra, porém nesta cena as naves, ao entrarem em contacto com o chão, fazem levantar uma poeira avermelhada, o que gera alguma curiosidade sobre o próprio planeta onde estas mesmas naves se preparam para enfrentar os Walkers AT-AT, visíveis no horizonte.

Algo que se mantém nas sombras é a condição de Finn, que aparece dentro daquilo que parece ser uma cápsula médica, estando possivelmente ainda estar a recuperar dos graves danos que sofreu aquando o combate que travou contra Kylo Ren. Podemos ver ainda outro personagem que parece ter conquistado mais tempo de ecrã neste novo filme. Falamos de Phasma, capitã das tropas da First Order, que aqui aparece a liderar vigorosamente um grupo de Stormtroopers por entre aquilo que parece ser os destroços de uma base da Resistência.

Todavia é a cena que remonta à visão que Rey teve, quando encontrou o sabre de luz da família Skywalker, em que vimos Luke ajoelhado ao lado de R2-D2, a lamentar aquilo que parece ser a destruição de um templo Jedi. Um dos grandes mistérios que ficou do Episódio VII foi a relação entre Luke Skywalker e Ben Solo e os acontecimentos que levaram a que este último cedesse ao lado negro da Força, tornando-se no Kylo Ren. Esta cena pode talvez significar que iremos finalmente ver essa explicação já no próximo episódio.

Por fim vemos o que parece ser o inverso da Alegoria da Caverna, de Platão, quando Luke está à beira da saída da caverna, sendo a escuridão que o envolve todas as dúvidas que tinha sobre a Força e os seus lados antagónicos, e a luz do mundo exterior o reconhecimento da Força como algo maior do que o simples conflito de ideologias. Mas aqui Luke não se recusa a sair, pois conclui que os Jedi precisam de desaparecer, o que poderá significar o fim da dualidade Jedi / Sith, pois para cada Jedi haverá sempre um Sith.

No entanto, há uma coisa que nos preocupa. Mais uma vez o Poe Dameron vê o seu X-Wing ser destruído antes de o alcançar. Esperamos que no terceiro e último filme desta nova saga o melhor piloto de toda a galáxia não tenha o azar de chegar à sua nave a tempo!

 

O Shifter é gratuito e sempre será. Mas, se gostas do que fazemos, podes dar aqui o teu contributo.