Tremor: o abalo cultural volta a sentir-se nos Açores

Dos criadores do Milhões de Festa...

A Lovers&Lollipops, editora e promotora do Porto, é irrequieta no bom sentido. Não consegue ficar parada e, como o Milhões de Festa é só em Agosto, tem uma proposta festivaleira para estes dias e para quem está nos Açores. O Tremor arranca pela quarta vez na Ilha de São Miguel – um abalo cultural que vai sentir-se a partir de hoje, 4 de Abril, e até dia 8 de Abril.

Depois de três anos a abrir fissuras culturais que colocaram os Açores no mapa mundial do circuito musical, o Tremor está votado a voltar para um quarto abalo, maior em escala e em intenção – de 4 a 8 de Abril, o centro do Oceano Atlântico passará, por isso, a ser o epicentro do mundo. São Miguel torna-se um palco privilegiado para a música, com uma programação interdisciplinar que inclui cinema, concertos surpresa em locais inesperados da ilha, interacções na paisagem, workshops, festa, arte nas ruas, música na comunidade e residências artísticas. No último dia, Ponta Delgada treme com concertos em múltiplos espaços da cidade, revelando a cidade por dentro e por fora, e tomando como estaleiro criativo a singularidade da maior ilha dos Açores.

O cartaz musical integra nomes bem conhecidos como Mão Morta, Noberto Lobo, Gala Drop e Conjunto Corona. Mas há propostas que podem revelar-se boas descobertas neste festival. Com selo de cabeça de cartaz, temos os BEAK>, de Geoff Barrow, mais reconhecido pelo seu trabalho com os Portishead e que encontrou no universo kraut deste trio o mais criativo esforço dentro do género dos últimos anos. Na calha trazem a banda sonora para o filme Couple In A Hole, com que se têm apresentado ao vivo. Com os BEAK>, vêm também Stone Dead, Filipe Furtado, Flamingods, Yves Tumor, Morbid Death, PMDS, Jacco Gardner, Drinks, Coelho Radioativo, We Sea, 3rd Method, Ghost Hunt, Circuit des Yeux, Bonga e K-X-P. O alinhamento completo está no site oficial do Tremor.

O coração do Tremor é música, mas à sua programação acrescem ainda outras valências e expressões artísticas, sempre com vista a estimular a criação em território açoriano. Haverá a projecção do documentário Natália: a Diva Trágicómica (2011), de João Gomes; e um ciclo de videoclipes açorianos intitulado Discos Na Tela; e exposições de trabalhos de Pauliana Valente Pimentel, numa parceria com a Galeria Fonseca Macedo e Walk&Talk, e da Chili Com Carne. Haverá, ainda, conversas moderadas pelo The Creative Independent com as mulheres artistas do festival sobre produção musical no feminino e, claro, as residências artísticas de Gala Drop e Gabriel Ferrandini, ambas com co-produção Arquipélago Centro de Artes Contemporâneas, de Liz Harris aka Grouper no Pico do Refúgio e Quinta do Bom Despacho, e do artista plástico Fernando Almeida em colaboração com o seu par João Paulo Lima.

Na sessão de abertura do Tremor, e em jeito inaugural, será projectado, em estreia mundial, o documentário AZ-RAP – Filhos do Vento, para selar a aposta do festival nas rimas e batidas insulares. Este filme produzido pela Red Bull Media House é um retrato da cena hip-hop dos Açores, com foco nas comunidades da Terceira e de São Miguel e ramificações para os EUA.

O passe geral para o Tremor custa 30 euros. Acompanha o festival no site e no Facebook.