Afinal há mais um nome no cartaz do Bons Sons 2017

Yup, José Cid.

 
O Shifter precisa de dinheiro para sobreviver.
Se achas importante o que fazemos, contribui aqui.

Quando o cartaz do Bons Sons foi revelado em Março, foi dado a entender que estaria completo. Mas afinal a organização do festival estava a guardar-nos uma surpresa final: José Cid vai sentar-se aos comandos da nave espacial que aterra em Cem Soldos para o concerto de celebração do álbum 10.000 Anos Depois entre Vénus e Marte.

O álbum lançado em 1978 pela editora Orfeu conta a história de um homem e uma mulher que regressam à Terra após 10 000 anos da autodestruição da humanidade. Viajam através do espaço em direcção ao planeta azul para o repovoar. Na altura não foi totalmente reconhecida a virtude deste álbum, com vendas a não ir além das mil cópias, mas como acontece às obras de génio editadas à frente do seu tempo, foi ganhando o estatuto de álbum de culto tanto em Portugal como além-fronteiras.

10.000 Anos Depois entre Vénus e Marte não foi nave que se pilotou sozinha. Na gravação, além do versátil músico, talentoso teclista e reverberante vocalista José Cid, juntaram-se Zé Nabo no baixo e na guitarra, que partilhou com Mike Sergeant, enquanto as baquetas da bateria e a percussão estavam nas mãos criativas de Ramon Galarza.  A sonoridade astral, muito particular desta obra, deve-se ao instrumento musical Mellotron, uma marca constante no rock progressivo e uma característica comum a outras bandas da época, como Pink Floyd, Genesis, King Crimson ou Moody Blues. Este instrumento data de uma era pré-sampling musical e dá ao controlador a possibilidade de reproduzir som gravado numa fita de áudio alterando-lhe o tom e ritmo.

Além das faixas de 10.000 Anos Depois entre Vénus e Marte, o espectáculo de José Cid no Bons Sons contará com outros temas que datam da mesma época como “Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas”, uma incursão no rock sinfónico que precedeu o álbum, e também “Vozes do Além” cuja gravação contém poemas de Sophia de Mello Breyner e de Natália Correia. Título prometido para um aguardado álbum, em que José Cid estará a trabalhar, empreendendo um regresso a esta estética musical com o tema da reincarnação e da vida após a morte.

Dia 13 de Agosto, no Palco Lopes Graça.

Foto de Iolanda Pereira/Flickr

O Shifter precisa de cerca de 1600 euros em contribuições mensais recorrentes para assegurar o salário aos seus 2 editores. O teu apoio é fundamental!