Existential Comics: a filosofia pode ter (muita) piada

Como a internet pode ser um novo terreno fértil para a disseminação de ideias, como em tempos foi, por exemplo, a tradição oral.

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Quem acha que a filosofia não pode ter piada é porque provavelmente nunca se cruzou com o sketch dos incontornáveis Monty Python, que coloca frente a frente, num campo de futebol, filósofos gregos e alemães, numa clara alusão à disputa intelectual europeia. Uma fórmula simples, que até costuma dar lugar a memes por altura de Euros e Mundiais, mas que bem analisada esconde interessantes detalhes sobre as teorias e ideias dos representados.

É a partir dessa mesma fórmula mas num registo diferente, adaptado aos dias de hoje, que os Existential Comics tentam divulgar o pensamento de nomes importantes da corrente de pensamento existencialista como: Kierkegaard, Simone De Beauvoir, Sartre, Marx ou Albert Camus.

O segredo parece estar, tal como no sketch dos Monty Python, no inusitado que nos desafia à reflexão entre gargalhadas, em vez dos habituais sermões. Entre memes, tiras de bandas desenhada e anedotas filosóficas, o site – com extensão na página de Facebook – já soma mais de 300 mil seguidores, registando dia após dia números impressionantes de interações.

Mysteriously, almost everyone who describes themselves as a "free thinker" have almost exactly the same ideas.

Publicado por Existential Comics em Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

When Hegel died he lamented that no one had really understood his philosophy.Is like…dude, maybe you should have explained it better then.

Publicado por Existential Comics em Domingo, 21 de Maio de 2017

Entre as criações mais afamadas, está a banda desenhada central do site, chamada Mad Marx, em que Karl Marx personifica de um modo literal a ideia de luta de classes surgindo como um autêntico guerreiro. Em cada página ou tira de banda desenhada, é frequente vermos vários filósofos a entrar em cena em diálogos que só a imaginação podia criar e que ajudam a relacionar as diferentes ideias entre si. Nem os defeitos ou preconceitos são deixados de parte, servindo geralmente de trigger para as melhores piadas. A acompanhar cada banda desenhada surge geralmente uma pequena explicação e a referência aos filósofos mencionados, não vá o desenho confundir o leitor.

Começou como uma brincadeira de Corey Mohler mas já tem mais de 600 apoiantes na plataforma Patreon e um income que permitiu contratar um novo ilustrador para os textos de Corey. O que não sendo propriamente uma fortuna é um bom incentivo para tornar a brincadeira cada vez mais séria. Há até comentários de professores da disciplina a agradecer a Corey o seu trabalho na simplificação de questões por vezes tão assustadoramente complexos.

Com a internet, surgiram dezenas de novas formas de comunicação, algumas das quais ainda por explorar. Os memes e posts são novo terreno fértil para a disseminação de ideias como em tempos foi, por exemplo, a tradição oral. Páginas como esta não são únicas nem especialmente importantes, convenhamos, mas são uma óptima demonstração de que na simplicidade de linguagem imposta pelo online é possível ser disruptivo, pedagógico e divertido sem aprofundar estereótipos, incentivar à violência ou promover sectarismos. 

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