Este mapa inteligente organiza os tipos de letra por semelhança

O mapa foi criado pela IDEO, uma das maiores responsáveis pela evolução conceptual do design.

Podíamos começar este artigo por vários pontos de interesse – embora a novidade seja relativamente simples de explanar (fontmap.ideo.com), ela fornece-nos contexto para uma série de considerações pertinentes.

A primeira, absolutamente indispensável, é sobre a IDEO. A empresa criadora deste projecto tem sido uma das maiores responsáveis pela evolução conceptual do design nos últimos anos, sendo responsável pela popularização de temas como o Design Thinking ou Human Centered Design. Para além do trabalho para clientes (que geralmente se mantém na sombra discreta), a IDEO tem emergido no panorama com ideias muito concretas sobre o sector, apresentadas de um modo democrático e com o objectivo de elevar a fasquia e aprimorar impacto cultural do design, tendo inclusivamente fundado uma escola online onde lecciona pequenos cursos da especialidade.

Apresentados os criadores, passemos à criação: o fontmap.ideo.com é uma aplicação web que, recorrendo a mecanismos de aprendizagem automática, dispõe fontes num mapa infinito consoante as relações habituais entre si.

A ideia é fornecer aos designers uma nova ferramenta para uma parte do processo que normalmente acaba por se tornar rotineira ou enviesada, com a escolha das fontes a recair sempre para as do costume.

Na versão actual, estão mapeadas cerca de 750 fontes nos mais diversos estilos. Uma vista rápida sobre o site permite-nos desde logo perceber as vantagens deste tipo de organização no momento da procura. Mas o objectivo da IDEO está para além da simples utilização da ferramenta.

O mapeamento das fontes recorrendo a inteligência artificial (aka font map) pretende ser simultaneamente um desafio e uma inspiração, para que, partindo da mesma base, se descubram novas aplicações para a inteligência artificial na melhoria e optimização do processo de design.

Não deixa de ser curioso pensar que ao fim de tantos anos de fascínio de designers por mapas (Vignelli, Scher), esta paixão ganhe um significado retroactivo. Diga-se a título de curiosidade que esta ferramenta não teria feito grande sentido noutra altura da história – Vignelli, por exemplo, usou apenas cerca de 12 tipos de letra em toda a sua carreira, número que se organiza facilmente numa lista.