Presidenciais francesas: o que se segue?

Emmanuele Macron, o novo presidente francês, terá muitos desafios pela frente.

“Uffa!” Foi esta a onomatopeia mais sentida pelos europeus na última noite. A razão é facilmente identificada pela eleição de Emmanuele Macron e a derrota de Marine le Pen nas 2ª volta das eleições francesas. Apesar dos últimos tempos negros que as sondagens atravessam, estas não se enganaram e estimaram com rigor o que realmente aconteceu no domingo passado. 65% e 35%, foi sensivelmente este o resultado final que dita a vitória clara do candidato do movimento “En Marché”, que não se assume como um político de esquerda ou de direita.

Junto ao Louvre, Macron subiu ao palanque e discursou para milhares de apoiantes que aguardavam as primeiras palavras do novo Presidente. Europa, união e segurança foram algumas das palavras mais ouvidas e que pautaram a linha de raciocínio.

Macron não terá uma tarefa fácil daqui para a frente. Se o primeiro cabo das tormentas foi ultrapassado, os que se seguem não prometem ser mais simples. Nesta segunda volta das eleições, os franceses escolheram essencialmente quem não queriam. Para Macron, o desafio futuro passa por convencer os franceses de que o voto deles não foi pelo mal menor. O novo Presidente terá de se libertar e conseguir elucidar a população que ele é a pessoa certa no local certo.

Do ponto de vista político, a constituição de um Governo estável, válido e competente será crucial para uma governação séria. As legislativas francesas em Junho são a prova de fogo para Macron. Candidato independente, sem base partidária que o suporte, terá de garantir uma maioria sustentada que o apoie. Se os pontos de interrogação aparecem no rescaldo da vitória de Macron, Marine le Pen parece ter mais certezas.

A Frente Nacional começou imediatamente a preparar as legislativas e sobretudo em constituir-se como a principal força da oposição francesa. Le Pen lamentou os resultados mas olhou já para o futuro, podendo o mesmo passar por uma reformulação profunda no seio do próprio partido de modo a rejuvenescê-lo em diversas vertentes.