Útero artificial sustentou cordeiros bebés – humanos podem ser a seguir

A criação de um sistema artificial que possa ajudar bebés prematuros a completar a sua gestação fora do organismo da mãe é o objectivo.

Útero artificial bebés
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Uma equipa de cientistas do Hospital Pediátrico da Filadélfia, nos EUA, deu um passo importante no desenvolvimento de úteros artificiais para seres humanos, ao conseguir manter a gestação de cordeiros prematuros durante 4 semanas num útero artificial, fora do organismo das mães.

O sistema aqui desenvolvido é constituído por um saco de plástico selado, cheio de electrólito líquido, uma substância que actua como o líquido amniótico. O coração do cordeiro foi ligado, através do cordão umbilical, a um sistema de tubos exterior ao saco que é responsável pela troca do dióxido de carbono por oxigénio – como mostra o esquema em baixo:

Nos EUA e na Europa, nascem cerca de 90 mil bebés prematuros todos os anos. E é um facto que o prognóstico para estes bebés não é o melhor: apenas 10% a 50% deles sobrevive, existindo uma grande probabilidade de ficarem com lesões cerebrais, doenças pulmonares e outras complicações graves. Assim, é de extrema importância a criação de um sistema artificial que possa ajudar estes bebés a completar a sua gestação fora do organismo da mãe.

Apesar de os cordeiros não serem iguais aos humanos, a verdade é que cérebro dos cordeiros desenvolve a um ritmo semelhante ao cérebro humano. No entanto, os autores deste estudo, publicado na Nature Communications, admitem que ainda falta algum tempo até estes úteros artificiais poderem ser aplicados ao seres humanos. Os investigadores começaram por testar cordeiros do tamanho de bebés humanos e estão a monitorizar as ovelhas bebés após terem sido retirados do útero artificial, detectando eventuais problemas a longo prazo. Até ao momento, estes cordeiros apresentam-se saudáveis. Alan Flake, coordenador deste estudo, pensa que “é realista pensar em três anos até aos primeiros testes em humanos”.

Apesar da aplicação deste tipo de úteros em humanos ainda estar longe, a verdade é que este estudo é um feito importantissímo na direcção certa. Como Flake diz: “Ainda estou deslumbrado sempre que olho para os nossos cordeiros. Penso que é maravilhoso estar aqui e observar o feto neste novo suporte de vida a comportar-se como se comporta normalmente no útero… É de facto uma tentativa inspiradora de continuar uma gestação normal fora das mães.”

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