Ganhar 50 mil dólares com o vício do ‘Counter-Strike’? Em 2017 é possível

O gamer e youtuber português Windoh amealhou cerca de 50 mil dólares em pouco mais de três semanas, vendendo…. skins de CS.

Windoh

Se te dissermos que em Portugal já se faz algum dinheiro na internet provavelmente não te surpreenderás. A reacção não será tão comedida se te dissermos que, recentemente, um gamer português amealhou cerca de 50 mil dólares em pouco mais de três semanas, vendendo…. skins de Counter-Strike.

Falamos-te de Windoh, um membros da nova vaga de youtubers portugueses e de um relato que o próprio fez na primeira pessoa.

Considerando as informações principais do seu relato, vamos por partes porque aposto que a esta te altura te assolam as questões.

O que são skins de Counter-Strike (CS)? Se não apanhaste a novíssima versão do jogo, é provável que te soe chinês. Na verdade, skins são (como o nome indica) extras que podes adicionar ao teu CS para teres armas personalizadas e distintas dos teus adversários. Ganham-se skins abrindo as caixas acumuladas a cada nova operação do jogo – as operações são momentos determinados pela Valve, dona da plataforma social Steam, para mostrar novas possibilidades do jogo, com prémios para os jogadores que as cumprem, que vão de medalhas às tais caixas com novas skins.

Para além deste caminho oficial para a obtenção de skins, a efervescência do mercado fez com que surgissem muitas outras. Actualmente, é possível encontrar online autênticos casinos assentes no valor das skins, que permitem aos jogadores mais experientes enriquecer o seu inventário.

Porque valem dinheiro? Esta é uma pergunta para a qual não temos nenhuma resposta que soe suficiente. Quando a ideia de gastar somas elevadas de dinheiro em jogos parecia ser coisa do passado material (CDs, consolas, etc.), a Valve inspirou-se nos jogos online gratuitos e transportou para um dos FPS mais jogados de todos os tempos a loucura do freemium. Motivações à parte, do ponto de vista analítico predominam dois factores na valorização destes items: a sua raridade no universo do jogo e a sua condição – a barra que podes ver por baixo do preço indica a “qualidade” de cada skin, um valor que pré-definido e que criar mais um nível de distinção entre items.

A ideia tem-se revelado um verdadeiro sucesso do ponto de vista estratégico e a prova disso são os valores da economia que gerou – por exemplo, a skin para uma faca pode valer até 4 mil dólares. Para além do circuito oficial, o mercado de skins do CS tem dado lugar a pequenas ideias do género em que jogadores tentam fazer real money, uma vez que o dinheiro conseguido na steam não pode ser levantado.

Sem dispor de qualquer tipo de informação sobre a legalidade das transacções – que, neste caso, também pouco importa –, esta realidade abre espaço a questões muito pertinentes sobre o futuro da economia e sobretudo sobre a relação entre o dinheiro e a produção. Se antigamente era piada fácil perguntar “e o que é que vais comprar com tanto like?”, agora o sentido pode ser outro.

Quem compra, porque compra e como se paga tanto por algo puramente virtual que não existe além da placa gráfica são dúvidas para as quais só o tempo nos dará explicação.