10 anos de ‘Era Vulgaris’, o disco singular dos QOTSA

Por um número muito variado de motivos, depois da promoção de Era Vulgaris, os Queens of the Stone Age entrariam no seu maior hiato discográfico.

Era Vulgaris surge meia década depois de Songs for the Deaf, top 10 de melhores discos de rock dos últimos 15 anos – registo conceptual que imagina a banda sonora radiofónica de uma viagem de carro ali entre Los Angeles e Joshua Tree como quem vai ali pelo deserto da Califórnia. Todos os discos que vieram depois do clássico de 2002 sofreram por comparação. Lullabies to Paralyze será o mais óbvio. Porque vem logo a seguir, porque já não conta com Nick Oliveri e Dave Grohl, porque não tem canções tão fortes como “No One Knows” ou “Go With the Flow”, nem momentos de virtuosismo como “Song for the Dead”. Ou porque, mesmo sendo bom, não é tão bom.

Mas Lullabies to Paralyze ainda tinha Mark Lanegan como membro a tempo inteiro, Era Vulgaris nem isso. E a grande proeza estará mesmo aí, na forma como, mesmo perdendo tantos e tão importantes nomes, o som da banda nunca se ressentiu na forma personalizada como se discorre. É um tudo muda, mas tudo fica na mesma.

Se tematicamente, Songs for the Deaf imaginava uma viagem entre Los Angeles e Joshua Tree, Era Vulgaris é sobre as viagens diárias de Homme por Hollywood. Era Vulgaris de Era Vulgar. “Chamem-me louco, mas eu gosto de coisas vulgares, soa a algo que eu gostaria de fazer parte.” O título também refere-se à geração. “Para alguns, esta geração parece ser negativa, mas eu cá tento sempre ver alguma luz: eles não querem ser funcionários portuários ou mineiros. Querem prolongar a adolescência e tirar vantagem da vida enquanto podem, aceitar empregos mais artísticos, como fazer parte de uma banda de rock.”

Sonoramente é um registo marcial: riffs de guerra ou que parecem saídos de uma praça em obras. “É negro, duro e elétrico, o tipo de som que faria um construtor civil.” É assim grande parte do tempo, mas, sensivelmente a meio, de uma das mais agressivas faixas, “Battery Acid” passamos para essa canção de fazer bebés, hino sexy para muitos, que é “Make it Wit Chu”. Capa e vídeos representam uma assumida guinada visual. Gore gastronómico no de “Sick Sick Sick”, no Tarantinesco de “3’s and 7’s”, que parece um trailer de um spin-off de Death Proof, que, por coincidência ou não tinha ido para as salas de cinema há precisamente dois meses. A capa apresenta duas personagens, Brown Nose the Pirate e Bulby, eles que fazem um cameo no de “3’s and 7’s” e são responsáveis pelos trailers do disco. É o disco mais singular dos Queens of the Stone, não se parece com mais nenhum.

Por um número muito variado de motivos, depois da promoção de Era Vulgaris, os Queens of the Stone Age entrariam no seu maior hiato discográfico.