Alterações climáticas: o poder de mudar o mundo está na mão dos accionistas

A posição de certas empresas financeiras dão alento ao resto do mundo.

Quando Trump anunciou ao mundo que iria rasgar o acordo de Paris, fê-lo em nome das empresas e dos postos de trabalho que o tratado poria em causa. Pois bem, parece que a resposta surge de onde menos se espera, de quem manda nas multinacionais com interesse em combustíveis fósseis.

No dia 31 de Maio, os accionistas da ExxonMobil, multinacional na área do petróleo e do gás impuseram uma “vontade verde” aos administradores da corporação. Com a consciência que as alterações climáticas são uma realidade, ao contrário do pensamento do presidente Trump, a maioria dos accionistas exigiu a apresentação de relatórios sobre o impacto das medidas políticas globais de modo a preservar os 2 ºC almejados no acordo de Paris.

Os accionistas, a maioria deles financeiras com muito peso no capital da sociedade, demonstraram uma vontade marcada e definida, diferente do que tinha acontecido até então. Transparece a ideia que quando a administração política deu a entender a decisão acerca do acordo de Paris, os donos da Exxon agiram em conformidade, causando surpresa nos mais atentos ao mundo empresarial.

Importa dizer que esta atitude não é única no meio empresarial do ramo petrolífero. BP, Total ou Royal Dutch Shell já mostraram igualmente sinais que pelo menos uma análise atenta dos resultados das medidas obtidas em Paris vão fazer. De forma ingénua ou não, é possível que até as empresas com interesses contrários ao que o Acordo almeja, possam ser mais ambiciosas no acompanhamento do tratado.

O que fica claro parece ser um choque de posições do sector empresarial privado americano e a administração Trump. Ao contrário do que o Presidente aclama, o argumento “empresas e postos de trabalho” caiu em saco roto de uma forma instantânea. Se olharmos para o panorama de forma geral, Google, Apple, General Motors ou Microsoft são algumas companhias de escala global que mostraram o seu desagrado face às ultimas decisões de Trump em matéria de clima.

Assim, duas coisas podem ser retiradas destas tomadas de posição. Primeiro, é possível desdramatizar a saída dos Estados Unidos do acordo de Paris, pois o país real parece querer funcionar de uma global, consciente e condizente com as obrigações de um comércio internacional mais verde. Em segundo lugar, se um acordo de Paris, duro e pouco ambicioso, causou os conflitos aparentes, não é possível imaginar um tratado mais vanguardista que envolva as grandes potências do mundo.

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