Canto das curtas: ‘Doodlebug’

Um olhar sobre a primeira curta-metragem de Christopher Nolan, quando o realizador estudava Literatura Inglesa em 1997.

É sempre fascinante ver como eram os génios antes de atingirem esse estatuto. Pensa no teu realizador de cinema preferido. Agora imagina como seria ter oportunidade de assistir aos seus trabalhos mais antigos, dos tempos de faculdade ou pré-início de carreira.

Se és fã de Christopher Nolan, Doodlebug é uma prenda, de nós para ti. O filme de 3 minutos foi feito sem orçamento, escrito, dirigido e editado por Nolan em 1997, enquanto o realizador estudava Literatura Inglesa na UCL em Londres.

O seu brilho vem, não do facto de ser uma obra-prima esmagadora quando comparada às dos seus pares, mas precisamente pelo contrário. Trata-se de um início humilde para o realizador, um thriller psicológico de inspiração Kafkiana, duro na actuação, edição, filmagens, iluminação, edição de som, tudo. É protagonizado por um jovem Jeremy Theobald, conhecido também pelo incrível neo-noir Following de Nolan, a sua primeira longa, realizada um ano mais tarde.

Tem o famoso dedo de Nolan no uso do preto e branco (lembra-te de Memento) ou no interesse pela metafísica (Inception, Interstellar).

Doodlebug prova que Nolan não se tornou um mestre no momento em que pegou numa 16mm, mas que a base estava lá e que a continuidade dada ao trabalho criou um conjunto impressionante de habilidades cinematográficas que o colocam no comando de grandes orçamentos e no topo da lista de realizadores reconhecidos ou que, pelo menos, alcançaram plenamente sua visão.

No Canto das Curtas queremos aconselhar e falar-te de uma curta-metragem diferente a cada 15 dias. Relíquias como esta, de nomes incontornáveis, ou outras obras recentes, de nomes menos badalados, preencherão este canto especialmente dedicado à vertente de curta duração da 7ª arte.