Já viste o Google Doodle de hoje? Conhece Oskar Fischinger

Uma homenagem ao criador do Lumigraph permite-te compôr música.

 

À chegada somos recebidos por um doodle em movimento, um banner animado, colorido e hipnotizante que nos convida ao clique. Entramos ao som de notas soltas de instrumentos que nos parecem ser um piano e um xilofone, a banda sonora de um cartão de visita que nos dá o contexto. “A música não se limita ao mundo do som. Existe música no mundo visual.” A frase é de Oskar Fischinger, o protagonista que a Google escolheu trazer ao nosso dia-a-dia ontem e hoje.

De seguida somos convidados a fazer a nossa própria composição visual de música, clicando em vários pontos dispostos no ecrã que vão repetindo em loop o som que criámos. Podemos mudar de instrumento (sendo o instrumento um símbolo) e brincar com o delay, a distorção, o phaser, o tom e o tempo. Podemos, no final, partilhar a canção que compusemos ou ouvir as composições predefinidas de artistas como os Local Natives, Nick Zammuto e TOKiMONSTA.

Em baixo, ao centro, reaparece o nome de Oskar Fischinger, num atalho que nos leva a descobrir a sua vida e obra e porque é que, afinal, a Google lhe dedica um doodle.

Quem foi Oskar Fischinger?

O dia de ontem (22 de Junho) foi coincidente com a data do seu nascimento, em 1900. 117 anos passados, a Google não quis deixar de lembrar o alemão que criou animações muito antes do surgimento da computação gráfica. Ficou conhecido pelos seus trabalhos no cinema, pintura e especialmente nessas animações musicais – vídeos abstratos com sons, muito antes do surgimento do design gráfico e dos videoclipes.

O seu passado está bem representado nesta homenagem. Fishinger foi violinista, construtor de órgãos e desenhador. Foi ganhando fama e em 1929 fez os efeitos especiais do filme Frau im Mond (Mulher na Lua) de Fritz LangFoi forçado a mudar-se para os Estados Unidos por causa da ascensão do Nazismo. Já em Los Angeles, trabalhou no filme Fantasia da Disney e acabou por ver considerada a sua técnica de pintura chamada Motion Painting uma das mais influentes de todos os tempos.

A sua arte chamou a atenção até aos dias de hoje porque não envolve computadores. Fishinger usava uma câmara e cortava frame a frame as filmagens das suas pinturas em acrílico, até obter o resultado final.

Já ouviste falar do Lumigraph?

No ano em que saiu Fantasia (1940), Fishinger patenteou o Lumigraph, uma espécie de órgão que pintava de acordo com as notas tocadas. Na vida real, o aparelho não teve sucesso de vendas e parte do seu fracasso está relacionada com a forma difícil como tinha que ser operado: eram precisas pelo menos duas pessoas, uma para manipular a tela e criar as imagens, e outra para mudar as cores das luzes que interagiam com o papel.

É precisamente nesta invenção que a Google se baseia para o doodle de hoje, recriando quase um Lumigraph batoteiro – mais acessível pelas facilidades que a computação trouxe, especificamente, à criação musical e visual e, de uma forma geral, à vida.

Se ficaste interessado na obra de Oskar Fischinger, convidamos-te a entrar no site da fundação criada na sua homenagem. Este visionário no seu tempo acabou por morrer em Los Angeles, em 1967, deixando perto de 50 curtas-metragens e uma extensa coleção de técnicas de animação.

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