Everything, o jogo na corrida ao Óscar

Pela primeira vez na história do cinema um videojogo foi nomeado para a Academia

David OReilly surpreendeu toda a gente ao revelar no seu Twitter, que Everything se havia qualificado para a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas, na categoria de Melhor Curta-metragem de Animação.

A nomeção não surgiu do vazio, pois o trailer, com 11 minutos de imagens do jogo e a narração de Alan Watts, tinha já arrecadado o Prémio do Júri na categoria de animação no Vienna Shorts Festival.

Everything é um simulador de pensamento existencial que permite aos jogadores explorar um universo gerado aleatoriamente e controlar vários elementos dentro dele. A qualquer altura o jogador pode escolher controlar outro elemento, podendo chegar a controlar massas terrestres, planetas ou até mesmo sistemas solares.

Com esta notícia não só os videojogos dão mais um passo na afirmação como décima arte, como também o mundo do cinema se demonstra cada vez mais inclusivo e atento às restantes formas de arte que o enriquecem.

Por exemplo – pegando no tema dos filmes de animação – só em 2002 é que os filmes de animação conquistaram a sua própria categoria (com Shrek a sair vencedor), quando já em 1937 havia estreado Branca de Neve e os Sete Anões, a primeira longa metragem de animação. Na altura, o filme da Walt Disney conseguiu apenas a nomeação para Melhor Banda Sonora (na 10ª edição dos Óscares, em 1938) mas o facto de se ter demarcado como uma revolução no mundo do cinema valeu-lhe uma menção honrosa.

Posto isto, desenganem-se aqueles que acreditam não haver espaço nos Óscares (ou em qualquer outro galardão do cinema) para os videojogos, pois cada vez mais se tem visto implementado um estilo de jogo mais cinematográfico, que permite envolver os jogadores numa história mais imersiva e, consequentemente, melhorar a sua experiência de jogo.

Mas agora, e perante esta nomeação, a questão que se coloca é se algum dia veremos ser criada uma categoria exclusivamente dedicada aos videojogos.