As histórias sobre música que podiam ser as tuas

Diana Matos, Renato Sanches, Conguito, Mafalda Castro e Tamara Alves protagonizam cinco mini-documentários produzidos pelo Canal180 e pela FIM.

São cinco histórias sobre música contadas por cinco melómanos, muito diferentes entre si. Diana Matos, Renato Sanches, Conguito, Mafalda Castro e Tamara Alves não são músicos mas são apaixonados por aquela que é a primeira arte. Procuram nela inspiração para serem os melhores na sua área: da dança ao futebol, da moda à arte urbana, sem esquecer o YouTube.

Cinco histórias, cinco documentários de menos de três minutos que encorpam uma campanha publicitária da NOS a propósito do NOS Alive. Os filmes foram trabalhados pelo Canal180 que convidou a FIM para a produção e realização dos mesmos. A realização ficou a cargo do André Santos e a produção do Guilherme Carvalho, ambos da FIM, uma jovem produtora sediada em Lisboa. A edição coube ao João Marques, do Canal180, produtora do Porto que já tem uma associação à marca NOS em projectos no NOS Primavera Sound.

Diana Matos

“Mal me me deram este projecto para as mãos, a primeira coisa que pensei foi ritmo”, explica André, 27 anos. As mudanças do formato de imagem a meio, a inserção de filme analógico e de fotografia pelo meio, os cortes repentinos e o aproveitamento de sons ambiente “ajudam a criar som nos vídeos e, tratando-se de um festival de música, foi quase imperativo usar essas coisas”. Esta diversidade de estilos e técnicas permite que quem vê se sinta “próximo do que está a ver, sinta que podia ter sido ele a fazer”, algo que o André procura imprimir em todos os seus projectos. O importante, diz, é “fazer filmes para pessoas, e não para outros realizadores ou para outras produtoras”.

Tanto o André como o Guilherme, 22 anos, olham para este trabalho com a NOS como uma vitória de todos. Foi, por um lado, uma conquista pessoal – era um tipo de conteúdo que ambos ambicionavam fazer há algum tempo e que, não só serviu de teste a eles próprios como à sua equipa. O desafio, como coloca Guilherme, foi “fazer de uma equipa pequena uma equipa grande”, reunindo talento de confiança como a Rita Grazina que assegurou a direcção de fotografia ou o Bernardo Lima Infante que tratou de tudo o que era analógico e fotografia. Todos tiveram oportunidade de fazer parte, improvisando ideias durante as filmagens e envolvendo-se desde o dia zero. Juntámos a malta toda no início e explicámos-lhe o projecto. O dia de começarmos a filmar não foi o momento em que as pessoas assumiram o projecto do qual estavam a fazer parte”, diz.

Conguito

Foi também um triunfo para a FIM, que quis agarrar esta oportunidade proporcionada pelo Canal180 . Este “é o tipo de projecto que queremos que faça parte do nosso ADN”, nas palavras de Rui Malvarez, que fundou a produtora em 2015 para trazer ao mercado publicitário filmes que “aliam a estética à narrativa”. “Queremos posicionar-nos num espaço onde temos liberdade criativa para sugerir como é que as narrativas funcionam e ao mesmo dar um cunho pessoal do ponto de vista estético”, completa. E fazer tudo isso sem “andar com um camião TIR atrás”, sem “budgets astronómicos e cânones de cinema”. “Com talento consegue-se fazer filme muito bom”, defende. “Não somos meros executantes técnicos das ideias criativas das agências. Somos uma produtora criativa.”

Tamara Alves

O êxito pertence também à NOS. Para o André e o Guilherme, são anúncios que se destacam dos demais pelo registo pouco convencional. “Não é novidade VHS ou fotografia num filme publicitário. Tens anúncios da Nike e da Adidas com isso”, lembra André.  “É difícil para uma marca gigante como a NOS apostar num registo documental porque permite-lhe pouco controlo sobre aquilo que vai ser dito. Não há um guião fechado”, explica. A liberdade que a NOS deu ao Canal180 e à FIM, os dois deram às cinco personalidades. “Tentámos que os protagonistas não se sentissem actores à frente de uma câmara, mas que sentissem que estavam entre amigos e que podiam confiar totalmente aquilo que diziam.” Houve uma primeira reunião com todos para explicar a ideia e conhecer cada um. Seguiu-se uma semana intensiva de pré-produção, pois para filmar tinham disponível apenas um dia com cada um. “Por exemplo, não sabíamos muito sobre a Diana mas falar com ela sobre a sua infância e o seu percurso permitiu, por um lado, quebrar o gelo inicial e, por outro, fazer uma parte fixe de pesquisa. O resto flui logo”, conta.

Da esquerda para a direita: Guilherme Carvalho, Rui Malvarez e André Santos

No dia das filmagens, puxavam conversa à vez e daí conseguiam os diálogos para os vídeos. “Ou punha eu conversa ou punha o André. É fixe porque às vezes eles diziam cenas e nós ficávamos a pensar isto vai ser muito bacano e começávamos a imaginar aquela cena e a outra”, recorda Guilherme. “Uma das cenas que nos deixa ainda mais orgulhosos é olhar para aqueles filmes e ver documentários de dois minutos e meio com tantos décores diferentes em cada um, tantos sítios e tanta cena rica em termos de discurso. E foi tudo feito num dia.”

Foram muitos quilómetros de um lado para o outro, muitas horas sem dormir e uma azáfama que parecia não ter fim. “Tão ou mais importante que ter super profissionais é ter super pessoas”, salienta Guilherme. “Houve uma complementaridade nas funções do Guilherme e do André – uma simbiose de talento que resultou bastante bem”, elogiou Rui. Mas esta convivência deu-se também entre a FIM e o Canal180. “Foi a primeira vez que me libertei da edição de um projecto. É um bocado difícil fazê-lo quando estás habituado a fazer tudo – realizar, filmar e editar”, assinala André. “Mas lá o fizemos e correu bem. O João Marques entendeu a ideia perfeitamente do que pretendia, pegou nos clipes e fez maravilhas. O próximo passo é deixar a câmara para alguém filmar. [risos]”

Mafalda Castro

A sonorização esteve a cargo da Ergonoise, um estúdio de sound design que partilha espaço com a FIM, numa vivenda em Telheiras. “O Bernardo deu uma ajuda no som com a Ergonoise. Criou algumas faixas para incluir nos filmes”, salienta André, que apresentou recentemente Pôr A Minha Música No Ouvido, um documentário de iniciativa própria sobre os Wet Bed Gang, grupo de rap de Vialonga, e que motivou o convite feito pelo Canal180 à FIM. “Estes filmes da NOS é quase o estender deste último projecto pessoal. Enquanto criativo, é óptimo conseguir fazer para uma marca como a NOS uma cena que faço com muito prazer”, confessa. “O que nasce como uma experiência, uma brincadeira, de repente torna-se trabalho. O Bernardo faz fotos e mexe em VHS por hobbie e agora pôde fazer isso como trabalho.”

A campanha que o Canal180 concebeu do ponto de vista estratégico e que a FIM ajudou a dar à luz produziram para a NOS vai estar na televisão, no cinema e na internet até ao NOS Alive. A 11ª edição do festival decorre de 6 a 8 de Julho.