A maior empresa de carvão do mundo vai fechar 37 minas na Índia

Apesar disso, em maio, a produção de carvão aumentou 6% na China, Índia e Estados Unidos.

AP Photo/Kevin Frayer

A maior empresa de carvão do mundo vai fechar 37 minas (o que equivale a cerca de 9% dos locais de extração), até março de 2018. A Coal India é uma empresa estatal que vai poupar cerca de 108,5 milhões de euros (8 mil milhões de rupias indianas) com a decisão.

A empresa é responsável por cerca de 82% do carvão usado na Índia e vê-se numa posição complicada entre a queda do preço das energias renováveis (solares, principalmente) e as políticas “verdes” do Governo.

O Governo anunciou que não vai construir mais locais de exploração de carvão depois de 2022. Aliás, até 2027, previu que 57% da energia virá de fontes energéticas renováveis (o que ultrapassa os compromissos internacionais do país).

Já em Maio o Governo cancelou planos para power stations capazes de produzir tanta energia como no Reino Unido (14 gigawatts). “As medidas tomadas pelo Governo indiano para melhorar a eficiência energética com objetivos ambiciosos na área das energias renováveis e a descida do preço da energia solar tem tido um impacto nas atuais e futuras explorações de carvão que se tornaram financeiramente pouco atrativas”, explica o analista Tim Buckley, ao The Independent.

Este ano, a Coal India vai gerar 1 gigawatt de electricidade renovável e pretende gerar 10 gigawatts no futuro (sem data anunciada), garantiu um ministro do Governo à Reuters. Na Índia, a capacidade de geração de energia solar mais do que triplicou, nos últimos três anos, para 12 gigawatts. O Primeiro-Ministro indiano tenciona aumentar este número para 175 gigawatts até 2022 (uma taxa de crescimento de 1358%).

Produção de carvão aumenta na China, Índia e Estados Unidos?

As notícias parecem positivas, mas a análise da Associated Press (AP) traz outra perspetiva. Os dados dizem que a Índia, a China e os Estados Unidos da América – os três maiores utilizadores de energia proveniente da exploração do carvãoestão a estimular a produção (que está 6% mais elevada no mês de Maio do que no mesmo período no ano passado). Aliás, o aumento nos EUA é de 19%.

As razões prendem-se com mudanças políticas na China, mudanças nos mercados energéticos dos EUA e a pressão na Índia para fornecer eletricidade a mais população pobre, explica o artigo que cita especialistas. Tim Buckley também falou à AP. O analista acredita que os aumentos deste ano são uma anomalia e que em breve se vai voltar à diminuição da produção de carvão (como se tinha verificado em 2016). Não estamos a falar sobre acabar com o carvão amanhã ou na próxima década. Estamos a falar de uma transição de 40 anos, explicou.