Uma start-up está a vender “sangue jovem” a pessoas mais velhas

Será possível recuperar a juventude com transfusões de sangue?

Em Silicon Valley, nos Estados Unidos, uma start-up chamada Ambrosia está a fazer transfusões de “sangue jovem” para pessoas mais velhas por oito mil euros. Um dos objectivos é, segundo Jesse Karmazin, o fundador da empresa, perceber se doenças e disfunções relacionadas com a idade podem ser eliminadas através do uso de sangue de pessoas novas e saudáveis.

A equipa de Karmazin está a promover um estudo clínico “para avaliar os efeitos benéficos das transfusões de sangue de dadores jovens utilizando biomarcadores sanguíneos”. No final de Maio, a Ambrosia disse ter cerca de uma centena de pessoas interessadas nas transfusões mas espera conseguir 600 indivíduos envolvidos no total, uma amostra que já permitirá perceber se as transfusões podem diminuir ou eliminar os efeitos da “anemia, neutropenia, trmobocitopénia, obesidade, diabetes, colesterol elevado, risco aumentado de cancro, aterosclerose, demência e cataratas”.

No seu site, a Ambrosia disponibiliza vários links para estudos relacionados com a transfusão de “sangue jovem”, incluindo um de 2014 no qual, depois de um rato velho receber sangue de um rato jovem, tanto a sua memória como a sua capacidade de aprender pareceram melhorar. O responsável por esse estudo disse, mais recentemente, à revista Science Magazine não existir evidência dos benefícios do tratamento transfusional e que a Ambrosia está a abusar da confiança das pessoas e do entusiasmo do público nesta temática. “Existem inúmeros estudos financiados pelos pacientes e conduzidos por empresas que acabam por utilizar esses estudos como uma forma de vender os seus produtos, que de outra forma não seriam comercializados”, acrescenta outro especialista.

A Ambrosia compra o sangue em bancos de sangue, e os jovens dadores com idades inferiores 25 anos não sabem que o seu sangue está a ser utilizado para este fim e também não são compensados de outra forma por esta doação. Existem também riscos inerentes às transfusões sanguíneas, que podem incluir urticária, alterações pulmonares e até infecções mortais. Apesar de todas as críticas em redor da sua metodologia e da sua tese, Kazmarin espera ter todos os dados compilados em Junho de 2018.

Também em Portugal já se usam algumas destas técnicas inovadoras, recorrendo a medicação intravenosa em pessoas sem a necessidade da mesma, em vez da normal utilização da via oral.

Exemplo disto, e partilhado publicamente nas redes sociais, é o caso de Carolina Patrocínio e do marido, Gonçalo Uva. Carolina Patrocínio partilhou e explicou como recuperou de “jet lag” através da administração intravenosa de medicação e como o seu marido fez “recuperação muscular” através do mesmo método. Esta partilha levantou várias comentários ofensivos e de indignação para com estes procedimentos realizados pelo casal. Estes tratamentos têm várias vertentes, como por exemplo, hidratação intravenosa através de transfusões.