Chester Bennington, vocalista dos Linkin Park, morre aos 41 anos

Foi a irreverência de Chester e companhia que nos trouxe até parte deste caminho, que reforçaram a cena das tattoos, a moda da crista e nos abriram a mente para convivência pacífica entre rock e rap.

Chester Bennington Linkin Park

E quem não se lembra das viagens para casa no autocarro da escola, de fones partilhados com o colega do lado, imitar Chester Bennington naquilo a que todos chamavam o maior grito da histórica do rock? 18 segundos a plenos pulmões eram não só uma demonstração de condição física impressionante para altura mas também uma espécie de ritual de aprovação. Era 2007 e uma banda americana destoava nas nossas playlists de putos sempre mais atinadas. Foi a irreverência de Chester e companhia que nos trouxe até parte deste caminho, que reforçaram a cena das tattoos, a moda da crista e nos abriram a mente para convivência pacífica entre rock e rap.

Os Linkin Park surgiram bem antes em meados dos anos 90 e tiveram nos 2000 a sua ascensão e merecida consagração. Foi a abrir o milénio, em Outubro de 2000 que apresentaram Hybrid Theory, um disco que em cinco semanas mereceu a distinção áurea, mostrando ao que vinham com singles icónicos como “In The End”, que permaneceu no #2 da Billboard durante 38 semanas e outros como “Papercut” ou “Crawling”. Logo em 2002 voltaram as edições com Reanimation, uma remistura do primeiro disco não menos aclamada pelos verdadeiros fãs.

Seguiu-se um disco ao vivo, gravado no Texas, onde se ouviu pela primeira vez o clássico inconfundível “Numb”, e Meteora, mais um disco de grande sucesso e até hoje um dos recordes da secção Alternativa da Billboard, com faixas como “Breaking the Habit”, “Lying From You” ou “Faint”. Depois disto surgiu uma espécie de pausa na ascensão meteórica com os membros da banda a dedicarem-se aos seus projectos paralelos – no caso de Chester Bennington, os Dead By Sunrise.

É em 2004 que voltam a editar um disco de remisturas, com o convidado de luxo Jay Z, a levar a banda para um universo cada vez mais rap. Depois disso seguiram-se discos que a memória mais recente ainda guarda em memórias ao momento. Minutes to Midnight guarda o estatuto de último grande sucesso da banda que apesar das polémicas e críticas se manteve sempre fiel a si própria e à sua essência. A Thousand Suns, Living Things e Hunting Party são a prova de que a vida de uma banda não pode ser sempre a subir, por muito que original e essência se vão mantendo.

A notícia da morte de Chester Bennington surge meses depois do lançamento do último registo de One More Light que sem que alguém o desejasse se tornou especial por ser o último da saga marcada pela voz e energia inconfundíveis do cantor.

A notícia foi avançada durante esta tarde pelo site TMZ e mais tarde confirmada pelo departamento médico-legal de Los Angeles à Associated Press. Chester Bennington faleceu aos 41 anos com todas as informações até agora a apontarem o suícidio como a causa mais provável.


Actualização (23 de Julho de 2017):

Surgem agora apontamentos que revelam os pedidos de ajuda de Chester.