Dunkirk: um clássico instantâneo

Na sua 10ª longa metragem, Christopher Nolan conta-nos a história da retirada de 400.000 soldados de Dunquerque, França, durante a 2º Guerra Mundial.

Dunkirk Christopher Nolan
 
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Não é todos os dias que vemos um clássico de cinema a desenrolar-se à nossa frente. Mas Christopher Nolan, realizador de Dunkirk, consegue entregar isso mesmo com este filme – um clássico de guerra inesquecível, uma experiência cinematográfica rara sobre a humanidade durante a guerra.

Rodeados pelo inimigo, cerca de 400.000 soldados do exército britânico, francês e belga encontram-se na praia da cidade de Dunquerque, França, à espera de resgate.

A premissa parece simples, mas Nolan é conhecido por conceber filmes cerebrais, e Dunkirk não foge à regra. Pegando em três perspectivas diferentes do acontecimento, vemos os vários lados da retirada, cruzando diferentes linhas temporais. Por terra, os soldados britânicos à espera de serem resgatados da praia. Pelo mar, os centenas de barcos civis que navegam pelo canal da mancha, em auxílio do exército. E pelo ar, a força aérea, que tenta defender os navios da Marinha dos bombardeiros alemães.

Mais do que conhecermos cada detalhe deste acontecimento, o realizador quer que nós sintamos cada tiro, cada bombardeamento e cada silêncio.

Todas as escolhas, sejam elas relativas à narrativa, diálogo ou de edição, servem para criar uma aura de desespero e inquietude. As própria interpretações pouco vocais dos actores criam um clima de desconforto que põem o espectador no lugar da personagem. Uma verdadeira experiência cinematográfica, é isto que nos leva ao cinema.

Hans Zimmer compôs, mais uma vez, a banda sonora, colaborando pela sexta vez com Nolan num ambiente sonoro que nos deixa constantemente alerta, sempre à espreita por um perigo eminente. Tudo contribuí para que o espectador sinta um sufoco constante que ajuda ainda mais à sensação de estar lado a lado com os personagens.

O filme é épico em escala, com cenários em terra e mar que nos alimentam a vista. Grande defensor de gravar em película invés de em digital, juntamente com o director de fotografia Hoyte Van Hoytema, Nolan recorreu para Dunkirk a câmaras IMAX 70mm, obtendo maior detalhe de imagem do que com a convencional película 35mm. Grande parte do filme foi feito com uma abordagem muito prática aos efeitos, por exemplo, afundando navios reais da marinha ou prendendo uma camâra num Spitfire britânico para simular uma luta aérea.  O realismo que não passa despercebido ao longo do filme, destoando muito, e bem, dos filmes pesados em efeitos especiais que Hollywood nos tem habituado.

Com um currículo invejável, Nolan faz mais uma das suas – um filme único e grandioso. Dunkirk é lindo na imagem, no som, e no sufoco que nos proporciona. E no fim, só queremos vê-lo de novo. Outra e outra vez. 

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!