Google e Facebook lutam por ser o futuro das notícias

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O feed do Facebook é, para muitos de nós, uma fonte de informação diária. Através dele, recebemos notícias dos amigos, familiares e conhecidos, mas também do mundo e das cenas que nos interessam. Basta seguirmos os perfis e páginas certos e deixar que o algoritmo faça o resto do trabalho por nós – isto é, definir o que é mais e menos relevante.

Com todos os defeitos que lhe podemos apontar, o News Feed é uma ideia acessível, que todos sabem usar e com o qual todos se familiarizam. Este conceito de feed está presente em outras plataformas, como o Twitter, o Instagram, o Reddit e agora é a Google vai introduzir um feed de notícias na sua aplicação para telemóveis. Um passo grande para uma empresa que, ao longo dos últimos anos, nunca conseguiu acertar no campo das redes sociais. O Google Wave falhou, o Google+ não ganhou a tracção que a tecnológica esperava.

O feed da Google vai não só mostrar a informação mais relevante para ti com base nas tuas interacções nos serviços Google, mas em consideração o que é tendência na tua zona e à volta do mundo. “Quanto mais usares o Google, melhor o feed ficará”, é a promessa da Google – como já era a do Facebook. “À medida que o mundo e os teus interesses mudarem, o feed continuará a crescer e a evoluir contigo”, explica. O feed vai dar-te mais conteúdo dos temas de que mais gostas e permitir-te seguir tópicos específicos – para tal, terás apenas de fazer uma pesquisa no Google (por exemplo, sobre a série Stranger Things) e clicar no botão “Follow”.

A Google está a lançar o feed na sua app para iOS e Android, primeiro nos Estados Unidos e depois internacionalmente. Não se sabe que impacto o feed terá no comportamento dos utilizadores, habituados a abrir o Facebook ou outra plataforma para notícias e a ir ao Google só para pesquisar. De qualquer das formas, o feed da Google – que, para já, não deverá chegar ao desktop – é um ataque da tecnológica por um lugar no futuro das notícias, numa altura em que os seus concorrentes reforçam a aposta no mesmo sector.

E se a Google ataca o Facebook com um feed de notícias, o Facebook contra-ataca dando mais liberdade às publicações no formato Instant Articles.

Quando os Instant Articles (IA) foram lançados em 2015, o Facebook reuniu um conjunto de parceiros, no qual se destacavam nomes grandes como o New York Times, o Guardian, a CNN ou a National Geographic. Contudo, dois anos passados, praticamente todos os parceiros largaram os Instant Articles. Uma experiência mais rápida e integrada na app do Facebook para o leitor não convenceu as publicações maiores, preocupadas com a rentabilidade do formato relativamente à mobile web.

A resposta do Facebook não foi desistir dos IA mas dar mais controlos às publicações, permitindo-lhes tirar o melhor partido comercial do formato. A empresa afirma que mais de 10 mil jornais por todo o mundo usam os IA e que os mesmos rendem globalmente mais de 1 milhão de dólares por dia através da publicidade da Facebook Audience Network.

Entre as novidades no formato estão duas call-to-action que qualquer publicação pode agora introduzir nos seus artigos – uma para recolher assinaturas para uma newsletter; outra para seguidores para a página de Facebook. Além disso, em breve, os Instant Articles vão suportar subscrições, podendo assim remeter os leitores para paywalls e limitar o acesso gratuito aos conteúdos. Uma resposta do facebook a um pedido antigo das publicações que baseiam o seu modelo de negócio em assinaturas pagas.

O Facebook está ainda a lançar um painel de estatísticas para que os gestores possam compara a performance dos IA com artigos em mobile web. Um estudo promovido pelo próprio Facebook determinou que as pessoas tendem a clicar mais em artigos assinalados como Instant Articles porque sabem que carregam rápido nos seus telemóveis.

Com as novidades dos IA, a empresa pretende voltar a conquistar a confiança das publicações e, mais que isso, a combater o seu principal concorrente – o AMP, promovido pela Google.

Quando a Google lançou o AMP, pouco depois da introdução dos IA, fê-lo como um formato aberto (open-source), facilmente personalizável. Do lado do leitor, pode mesmo ser difícil distinguir entre um artigo aberto no site do jornal de um artigo em versão AMP, atendendo ao alto nível de personalização a que os publishers têm acesso. Liberdade essa que não se limita ao design da página. O AMP – sigla para Accelerated Mobile Pages – já suporta paywalls e subscrições, e não funciona exclusivamente no Google Search. Sempre que possível, a aplicação do Twitter mostra as versões AMP dos respectivos sites.

Google e Facebook lutam pelo futuro das notícias. Quem ganhará? E o leitor?

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