Herman: o rei da comédia agora é rei do Instagram

É rei em todo o lado, na verdade, e falou connosco sobre a sua presença nas redes sociais.

 
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Surpreendeu desde sempre por ser um Homem à frente do seu tempo, pelo humor que fez, as personagens que interpretou. Foi na televisão que se edificou como O maior entertainer do país e por lá vai continuando – parece que a TV não viveria sem Herman. Actualmente são as festas populares e festivais regionais um dos seus  principais palcos, mas não o único.

Aos 63 anos, com mais de 40 de carreira, decidiu voltar à estrada mas porque o pézinho que vai dando à televisão não mata o bichinho dos ecrãs e, para se manter ligado ao mundo, mudou-se para o Instagram. Literalmente. Entre stories e posts, parece passar lá a vida, para alegrar as nossas.

Porque nos viciámos na sua presença nos nossos feeds, o Shifter falou com o artista sobre esta sua recente persona online. Diz-nos que “a grande mais-valia das redes sociais tem sido o contacto estreito com o público, com os vários órgãos de comunicação, mas sobretudo com os organizadores de eventos, que passaram a ter uma linha directa para o meu agente. Poder compartilhar mini reportagens dos espectáculos e ter a caixa de comentários abertas a quem quiser comentar, é também fantástico e completamente revolucionário.”

Como profissional, reconhece as mais valias do mercado digital, que o artista tem que se adaptar quando quer mudar o seu palco físico para o mundo virtual. Refere que “as redes sociais têm de ser tratadas como um Bonsai. É um processo que requer atenção, manutenção e algum bom senso.” Como figura pública, que além desta presença no Instagram conta com uma página pessoal e outra profissional no Facebook, tem noção da influência dos seus passos digitais para o mundo e no público, e é com essa noção presente que prefere usar o seu espaço para fazer o que faz melhor: “Usar posts para inflamar e incendiar a opinião pública é em muitos casos contraproducente. No meu caso, estou mais preocupado em gerar bem-estar do que polémicas.”

Seguir Herman José no Instagram chega a ser inexplicável. São gargalhadas garantidas, uma manhã melhorada e a certeza de quem é o maior mestre do país na arte da reivenção – e de fazer rir. Dúvidas houvesse que Herman consegue ser quem quiser, chegaram os filtros de Snapchat para substituir as tradicionais perucas e as dizimar por completo.

Os óculos do Nelo (o da Idália, sabem?) foram substituídos por toucas de bebé e rosáceas nas bochechas. Em vez da pronúncia do icónico Diácono Remédios, chega agora até nós a voz estridente de uma espécie de esquilo em ácidos.

José Eduardo Moniz, Manuela Moura Guedes e Ricardo Quaresma, reagem a uma crónica da #bxafestivaleira

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#nosalive

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Nos vídeos que partilha diariamente imita figuras conhecidas do grande público. Destacamos (entre risos) a aula de representação dada por Joaquim de Almeida, Jerónimo de Sousa, uma entrevista a Paulo Portas, Filomena Cautela, Maggy Smith em Downtown Abbey, Leonor Poeiras, aquela vez em que João Paulo Rodrigues imitou Luciana Abreu ou todos, mesmo todos os mini-vídeos que partilha. É que por entre rimas geniais e filtros tontos, o mais impressionante é terminar cada vídeo com vontade de o rever, a pensar “mas como é que ele se lembrou disto?!”

Mascara-se de burro, de girafa, de pêssego, de cão, já criou dezenas de personagens e de entre todas elas não podemos deixar de destacar a Bixa Festivaleira. Podemos dizer-te que a loucura é tanta, que já por várias vezes tentámos reproduzi-la, usando o mesmo filtro e uma tentativa falhada do sotaque. Mas, bitch please. Em cada um dos seus vídeos, escolhe uma canção (normalmente são músicas que concorreram ao Festival da Canção e da Eurovisão, daí o nome) e teoriza sobre ela, recorrendo aos mais variados estereótipos relacionados com os fãs do Festival, inventando outros e intercalando as suas tiradas com imagens hilariantes que normalmente envolvem homens nus.

#antoniohermanaleixojose

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#excesso #melocoton

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Tudo é, como diz Daniel Oliveira, “deliciosamente parvo”. Herman conta já com mais de 64 mil seguidores na sua conta de Instagram e o número não pára de aumentar. É o reconhecimento de que o Senhor da TV é um Senhor em qualquer lado. Enquanto brinca e experimenta, inova e prova que o seu trabalho é à prova do tempo e que se adapta a qualquer revolução tecnológica que venha na sua direcção. Nunca a idade ou a geração o afastaram da actualidade, do moderno e nada melhor que a forma como se moldou à realidade das redes sociais para o comprovar. Trata-se de um caso perfeito de um talento estabelecido que se renova mas não esquece de onde veio. É que se por um lado se rendeu às novas tecnologias, não acredita na sua supremacia. “Há anos, dizia-se que «TV killed the radio star». Passado todo este tempo percebe-se que a ameaça era falsa. O mesmo se passará com a televisão. Por muito impacto que venham a ter as redes sociais, há-de haver sempre espaço para a produção televisiva. O caminho terá de ser feito sempre de mãos dadas e nunca de costas voltadas. (…) O progresso é cego e funciona como um comboio rápido que não espera por ninguém e que trucida todos aqueles que acham que o podem parar. Passou a ser o meu lema para o século XXI: «If you can’t beat them, join them!»”

Herman está a preparar-se para o futuro e, pelos vistos, não parece precisar de muito mais preparação. A sua presença no Instagram é uma lição de redescoberta e renovação para todos nós, de como a figura de uma Era soube ajustar-se a outra e continuar a ser um exemplo para outros, um dos melhores no que faz e sempre inconfundível.

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