Primeiro embrião geneticamente modificado nos EUA

As opiniões sobre o uso da técnica dividem-se.

primeiro embrião geneticamente modificado

Já todos imaginámos, sem base científica, o tempo em que os seres poderão ser modificados antes de nascer, evitando más formações genéticas ou hereditariedade de características que possam ser prejudiciais ao crescimento e desenvolvimento do indivíduo. Essa ideia que outrora poderia parecer mirabolante, ganha agora cada vez mais sustento e adeptos com a evolução da bioengenharia e de algumas técnicas, em particular, o CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats).

CRIPSR é uma técnica pioneira que pode ser usada para substituir partes da sequência genética ou apagar outras – por outras palavras e numa hipótese mais objectiva – é uma técnica que permite identificar e eliminar (ou substituir) parte da informação contida no DNA de um ser, inibindo a expressão de determinada característica ou potenciando outra. “Cortar” o gene da Esclerose Multipla em humanos, tornar os mosquitos resistentes à Malária ou desactivar células cancerígenas são alguns dos usos em estudo e que dão fama.

Genome Research Limited.
Genome Research Limited.

Como se ilustra acima, o CRISPR-Cas9 é uma técnica química que passa pela injeção de duas moléculas chave no núcleo da célula. A Cas9, uma enzima que consegue cortar a cadeia de DNA com alta precisão e a chamada gRNA ou RNA-Guia, uma sequência pré-desenhada de RNA que transportará a enzima até ao local determinado para efectuar a alteração.

É precisamente uma dessas utilizações que está na ordem do dia. Depois de alguns anos de testes de laboratório e de resultados provenientes da China – e apesar da pouca informação que foi disponibilizada pela equipa de investigação – o MIT dá conta do primeiro embrião alguma vez alterado geneticamente nos Estados Unidos. O caso remete para Shoukhrat Mitalipov e a sua equipa de investigação na Universidade de Portland, Oregon, nos Estados Unidos e para uma experiência envolvendo a modificação química de um embriões de apenas uma célula.

A ideia da experiência terá sido, como em tantas investigações científicas, comprovar a possível utilização da técnica pelo que nenhum dos embriões foi devolvido a um útero para que se desenvolvesse. O sucesso deste caso está na quantidade de células que terão sido alteradas com sucesso. Até à data havia apenas registo da alteração de 3 embriões, todos em solo chinês. Mitalipov é assim o primeiro a fazê-lo na América e provavelmente o 4º no mundo, um sinal claro dos primeiros passos que se vão dando nesta área.

As opiniões sobre o uso da técnica dividem-se. Se por um lado a normal curiosidade, tendência para o progresso e as possibilidades do lado bom levam muitos a assumir-se como adeptos, para outros o potencial da CRISPR para alterar uma linhagem genética é visto como perigoso. Um dos directores dos serviços de inteligência norte-americanos foi peremptório a descrever as edições de genes como uma potencial arma de destruição maciça, fácil de usar e difícil de controlar. Outra das críticas frequentemente apontadas prende-se com a sobre-utilização deste tipo de ténicas que pode levar à criação de designers de bebés e outras realidades completamente contra-natura.