Woody Allen e os abusos sexuais: o fantasma do passado voltou a assombrar

Foi durante um concerto de Woody Allen na passada terça-feira, que duas activistas interromperam o músico.

 
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Foi durante um concerto em Hamburgo de Woody Allen e New Orleans Jazz Band na passada terça-feira, que duas activistas do grupo FEMEN subiram ao palco para voltar a “atormentar” Woody Allen com o seu passado. O acto de protesto captado pela Ruptly TV chegou ontem à internet, bem como uma explicação para o sucedido.

No comunicado de imprensa disponibilizado pelo grupo de activistas FEMEN, prontamente traduzido pelo The Hollywood Reporter pode ler-se algo como: “Apesar do incidente ter ocorrido há decádas, Dylan (agora com 31 anos) continua a sofrer as consequências. Woody Allen é não só um neurótico e charmoso realizador, actor e músico mas também um pai que gosta de abusar da sua filha [adoptiva]. Quisemos lembrar o mundo e os fãs de jazz disso” [“Although the incident occurred decades ago, Dylan (now 31) is still suffering the consequences. Woody Allen is not just the neurotic and charming director, actor and musician, but a father who likes to stick his finger in his daughter. We’d like to remind the world, and jazz fans, of that fact.”]

 

O protesto incide sobre um caso que se tornou mediático em 1992 quando Woody e Mia Farrow se separaram e ganhou uma nova dimensão com uma carta aberta da alegada vítima, Dylan Farrow, que 21 anos depois, relatou os alegados abusos e apelou ao público para que não celebrasse Woody Allen. O caso fez correr muita tinta, Woody Allen chegou a ser inicialmente investigado mas a acusação acabou por nunca ser formulada, algo que se esperava conclusivo mas deixou de ser quando um dos procuradores encarregues do caso disse que “poderia ter havido matéria para acusar Woody Allen” mas que teriam preferido não o fazer para proteger a criança. Já no ano passado o caso voltou a fazer correr tinta, desta vez da caneta do filho de Woody Allen e irmão de Dylan Farrow que, num ensaio publicado no THReporter, a questionar o silêncio dos media e a apatia generalizada em torno deste caso.

Recorde-se que o músico passou muito recentemente por Portugal num evento amplamente divulgado, até pelo Shifter, sem que essas questões tivessem sido levantadas, um sinal de que o mundo precisava deste lembrete.

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