Esta reportagem do Bons Sons 2017 foi feita por 45 pessoas

Mais que um festival de Verão, o Bons Sons é um convite a viver a aldeia de Cem Soldos.

Uma aldeia que dá para viver de tantas formas distintas, por tantas pessoas diferentes, só pode ser descrita em conjunto. Por isso, fizemos o convite a todos os festivaleiros que foram ao Bons Sons 2017 viver a aldeia mas também viver a música portuguesa: pedimos que nos contassem a sua experiência.

Através de um breve questionário que lançámos nos dias do festival – de 11 a 14 de Agosto –, recebemos um total de 45 respostas, que agora dão forma a esta reportagem colaborativa. São relatos sintéticos que dão uma perspectiva heterogénea desta 11ª edição do Bons Sons, por onde passaram 32 mil pessoas.

Octa Push featuring… uma senhora de Cem Soldos

Organizado pela aldeia numa aldeia, o Bons Sons completou no ano passado 10 edições. O festival arrancou em 2004 com entrada gratuita, dois palcos e uma oferta musical que integrava alguns dos projectos que estavam a surgir na altura no panorama português. Ao longo dos últimos 10 anos, o Bons Sons afirmou-se como um festival de música portuguesa – a nova e a mais antiga – feito com muito amor, tanto quanto o que os músicos entregam ao público e à aldeia. São vários palcos, espalhados pelas praças e ruas de Cem Soldos, em Tomar.

Melhor concerto

“Quem conhece o Bons Sons sabe que não há nem médios nem maus concertos. Todos são especiais e esse é o segredo do festival”, disse um festivaleiro. No que toca a melhores concertos, as respostas foram unânimes. Os 3 melhores foram, por ordem:

  • Les Saint Armand
  • Samuel Úria
  • 10 000 Anos Depois Entre Vénus E Marte (José Cid)
Um brinde aos Les Saint Armand

Menções honrosas para Throes + The Sine, Mão Morta e Né Ladeiras. Houve ainda menções a Surma, Valter Lobo, Moços da Vila, Rodrigo Leão, Sampladélicos, Captain Boy, Frankie Chavez, Manuel Fúria, Orelha Negra e Virgem Suta.

Um dos festivaleiros descreveu 10 000 Anos Depois Entre Vénus E Marte, concerto de José Cid e um dos mais aguardados deste Bons Sons, como “uma esplêndida viagem musical carregada de perfeição em cada nota que tocaram”. Outros não deixaram de referir Les Saint Armand como a “revelação” do festival.

José Cid e os seus 10 000 Anos Depois Entre Vénus E Marte

Perguntámos apenas pelo melhor concerto mas houve quem se recusasse a corresponder. “Tem mesmo de ser só um?”, perguntou alguém antes de apontar 6: Ok, então Samuel Úria. Mas temos de falar da Surma, de Mão Morta, da Né Ladeiras, de Sampladélicos e dos Moços da Vila.” Outras combinações sugeridas: 1) “Né Ladeiras, Mão Morta, Throes + The Shine e Les Saint Armand”; 2) “Manuel Fúria, Samuel Úria, Les Saints Armand, Sampladélicos e Rodrigo Leão”. Não trocámos a ordem dos nomes.

Throes + The Shine

Palco preferido

Os palcos Eira, Lopes-Graça e Giacometti reúnem a maioria das preferências dos inquiridos. Mas nem por isso faltam menções especiais aos palcos Tarde Ao Sol e MPAGDP, que animaram os princípios de tarde.

À sombra, junto ao Palco Lopes-Graça

O Palco Lopes-Graça foi, de resto, o que mais elogios reuniu. Não só por ser “o mais próximo da Adega de S. Pedro”, mas também por funcionar como “ponto pleno de comunhão entre todos os amigos da aldeia”. Como escreveu um dos repórteres-festivaleiros: “Não sei bem explicar porquê, mas o palco com o ambiente que mais gosto é o Lopes-Graça. Talvez por ser mesmo no centro da aldeia, no largo principal onde todos se juntam.”

Melhor característica do festival

Uma boa parte dos colaboradores apontou a aldeia no seu todo como a melhor parte do Bons Sons. “A atmosfera é única” descreveu um dos repórteres e “Não ser apenas um festival musical, mas sim um festival de felicidade e bem-estar, onde a amizade e a compaixão reinam desde a hora de abertura até à hora de encerramento”, acrescentou outro.

Houve quem usasse palavras simples para descrever a aldeia: familiaridade, amizade, autenticidade, proximidade, humano… “Simplicidade, cumplicidade e hospitalidade que tornam este festival intimista e único”, lê-se numa resposta.

Há quem refira o “espírito comunitário entre aldeia e público” e o facto de o festival “ser fruto do trabalho de uma comunidade”. Há quem diga: “As pessoas são todas super simpáticas e acolhedoras, é bastante fácil fazer novos amigos porque continua um festival pequeno e bonito.” E quem acrescente: “A intimidade e proximidade entre o público, os artistas e toda a organização.”

Nas respostas, houve ainda destaque à preocupação ambiental e ao facto de ser um festival diversificado, nas gerações que acolhe, nos estilos musicais, nos palcos. O facto de “não ser um festival” é a melhor característica para um dos repórteres convidados – “É uma plataforma de divulgação de música portuguesa”, remata outro.

A música portuguesa e o cartaz “esmiuçado e criterioso”, onde “não há sobreposições” e que pode ser “intervalado com comida caseira”, foram outras das notas de destaque.

Segredos que valem a pena ser divulgados

O Palco Garagem

Houve quem deixasse conselhos

  • “Vão cedo, andem muito e vivam a aldeia e toda a zona envolvente”
  • “Pôr-do-sol ao fundo da rua da sede dos escuteiros”
  •  “A Tasca tem umas playlists muito boas”
  • “Para quem apanha o transfer, a entrada pela escola é muito mais rápida para se conseguir chegar aos concertos”
  • “Não é preciso ir às casas-de-banho de contentor porque há as da Tonita.”
  • “Ah, e os últimos transferes para Tomar não têm pica!”
  • “Concertos dos artistas dentro das casas”
  • Alguém disse: “o palco da garagem em regime faça-você-mesmo”. Outros concordaram: “é super, algo a explorar”“não é nenhuma brincadeira”;
  • “A caneca de plástico tem mais capacidade que a de alumínio, mas a segunda refresca muito melhor.”
  • “Almoçar dentro da casa de alguém”
  • “Conviver com os artistas”
Samuel Úria invadiu uma casa de Cem Soldos e deu um concerto da janela

E segredos gastronómicos…

  • “As uvas em frente ao Giacometti!”
  • “O chouriço assado da Adega de S. Pedro”
  • “Bacalhau na grelha”
  • “As melhores natas que já comi na vida”
  • “Tinto maduro”
  • “A bebida mouchão é muito boa”
  • “Pequeno-almoço na Tonita”
  • “Aguardente do Café Tipioca”
  • “O bar da Verinha ao lado da Igreja” aka “o bar labiríntico ao lado da igreja”
  • “Sorvetes na Rua do Cerco”
  • “As canecas Stack Up levam mais quantidade que as de alumínio”

Revelações…

  • “Conheci a minha cara metade nos Bons Sons”;
  • “Acho que me apaixonei por um dos gajos da banda”;
  • “Ter chorado de tristeza na última noite, pelos 4 mágicos dias, passados com um dos melhores e maiores grupos com que já estive, estarem a acabar”.

E elogios

  • “A inter-geracionalidade e o espírito comunitário”
  • “Os habitantes de cem soldos são incríveis!”
  • “As pessoas são o segredo, Portugal devia ser Cem Soldos.”
  • “A maravilhosa amizade partilhada por todos”
  • “o valor da amizade e cumplicidade que foram vividos e potenciadas pelo festival e pela aldeia, o que permitiu superar barreiras emocionais e valorizar o simples”

Houve também quem não quisesse divulgar os segredos – “Quero guardar todos para mim” – e o remate final: “É o melhor festival nacional, mas isso já não é segredo.”

O que deveria ser melhorado

Quanto a melhoramentos, casas-de-banho (“mais e com melhores condições”, pede um festivaleiro) e campismo foram as menções mais feitas. Ou porque “tem demasiada inclinação em alguns pontos”, ou porque “falta de espaço para as tendas”, ou pelo “barulho que se fez sentir durante a noite dentro”. Há quem deixe uma sugestão: “Criação de um parque só para as famílias com crianças.”

Outros fizeram outras sugestões:

  • menos pó no Palco Eira, cobrindo o chão com tapete;
  • mais sombra especificamente no Palco Giacometti, “visto que os concertos são durante a tarde torna-se difícil assistir devido ao sol”. E quem partilhe os seus sonhos: “Devia haver piscinas. Várias. Em todo o lado durante o dia”;
  • mais locais para comer“estar sentado e socializar à mesa”;
  • mais pontos de venda de senhas, para que para o ano não existam “filas muito, muito prolongadas na restauração”;
  • melhor organização das bandas no cartaz e melhores DJs;
  • “mais electricidade para carregar os telemóveis”;
  • abolir o plástico, seja nas canecas e copos, seja nas pulseiras: “Para um festival tão amigo do ambiente, é estranho insistir tanto no plástico. De resto, nada a apontar.”
  • “mais e melhores locais para expor os trabalhos dos artistas da região”;
  • “faltam portas abertas, de forma a proporcionar uma experiência mais plena da aldeia”.

Melhor tasca de Cem Soldos

A Adega de S. Pedro –mais conhecida como “Intermarché de Cem Soldos” – liderou as preferências dos festivaleiros.  “Tem duas salas muito acolhedoras, há concertos improvisados a toda a hora e é um local de referência para todos os amigos com quem fui”.

Mencionadas também foram:

  • O Aliquete
  • A tasca onde trabalha a Vera ao lado da igreja – “sempre tratou toda a gente tão bem!”
  • Tasca do Joel
  • A Tasca
  • Tasca Moderna – “Para além de um óptimo serviço, fizeram maravilhas com uma casa abandonada”
  • InPortugal
  • Café da Tonita

Há quanto tempo vais ao Bons Sons?

Todas as respostas foram anónimas, mas perguntámos a “idade de Bons Sons” para termos uma pequena percepção da audiência que respondeu ao nosso questionário.