O ano do Bráulio Amado deu um livro… incrível!

Se ainda não conheces este designer português, ainda não viste nada.

Vamos ser práticos, perdoem-nos. Se és batido na net, tens pancada por design e não ouviste falar do Bráulio Amado, então ainda não viste nada. Este designer português, actualmente a viver e trabalhar em Nova Iorque, é uma das maiores estrelas da constelação de design nacional – com toda a dose de extravagância a que isso dá direito. Não estamos a falar de glitters, nem de vestimentas drag, mas de um estilo gráfico muito marcado e muito marcante. Não estamos a falar de técnica ou pormenores finamente detalhados, mas de uma capacidade de expressão, comunicação e identidade.

Quem o segue online, com certeza já percebeu que é dono e senhor de uma criatividade inesgotável; quem não o faz, provavelmente já se cruzou com incríveis trabalhos dele sem ter dado conta. Em Portugal chegou a ser um terço dos ALVA DESIGN (quem se lembra daqueles desdobráveis para o Lux Frágil?), mas foi nas “terras do tio Sam” que se mostrou ao mundo. Chegou à Big Apple para representar a Pentagram, mudou-se para estar no grande momento de redefinação da Bloomberg – em que o design passou a ser central –, voltou a passar pelo mundos das agências, desta vez pela Wieden+Kennedy e actualmente está a fazer a sua “própria cena”.

Apesar do percurso profissional preenchido nunca deixou de apostar em projectos pessoais, não só no design mas também na música – tema para outras conversas. Desde 2007 que expõe os seus trabalhos e colabora com diversas bandas nacionais da actualidade, como Moullinex, Xinobi e Paus, e outras da memória, como os clássicos Pontos Negros.

No meio de tudo isto e passando ao tema central do artigo, ao longo de 2016, o Bráulio desenhou mais de 100 pósteres, para diversas iniciativas ou simples ideias próprias, que a editora Stolen Books juntou num livro. A primeira edição, lançada em Maio, esgotou em poucas semanas, o que denuncia a quantidade de gente que quer ter um pouco do design de Bráulio em casa e levou a editora a avançar para uma segunda tiragem.

O livro conta com mais de 100 cartazes, desenhados para festas de música electrónica em Brooklyn, organizadas pela também portuguesa Ana Fernandes (Good Room) e de festas Good Room/Bad Room, cartazes mais políticos ou de noites no Musicbox, Maus Hábitos, Lux, Salón Fuzz (Lounge), entre outros, distribuídos cronologicamente ao longo do ano. Para o designer “é engraçado observar esta organização porque permite perceber onde estava a minha cabeça ou onde eu estava naquele momento e espero conseguir fazer isto todos os anos”.

A ideia na base dos cartazes era tão espontânea quanto possível, o que às vezes funciona, outras vezes nem tanto. Além disso, fico facilmente cansado do meu “estilo”, por isso trabalhar neste livro fez com que ficasse mais cansado de ver algumas coisas que fiz, forçando-me a tentar coisas novas”, acrescenta.

O livro é prefaciado por John Gall que ressalta as principais características do design de Amado numa declaração sobre o seu trabalho: “este é o design gráfico mais puro, mais intransigente, mais espontâneo e mais divertido. Estes cartazes são VIVOS! Explodiram com uma energia desenfreada e são um ataque massivo sobre tudo aquilo que poderia ser um cartaz no século XXI”.

O livro – intitulado simplesmente 2016 – inclui ainda um poster e está à venda no site da Stolen Books por 28 euros + portes de envio. Está também disponível em algumas lojas: STET (Lisboa), STALL (Porto), DFA Records (o principal ponto de venda nos EUA), Standards Manual (Nova Iorque) e brevemente na Draw Down (online) e noutros pontos da Europa.

Se és um leito assíduo do Shifter e ficaste desejando de lhe jogar as mãos… pode ser que tenhas uma surpresa em breve – só tens de acompanhar as nossas redes sociais e estar bem atento.