A história por trás da t-shirt de Frank Ocean que agitou a internet

A t-shirt deu polémica mas não só pela mensagem social.

Como se ver Frank Ocean em cima do palco não fosse acontecimento suficiente para notícia, o músico norte-americano decidiu aparecer há cerca de uma semana com uma t-shirt que o pôs nas bocas no mundo. Foi no seu segundo concerto nos Estados Unidos desde 2014, que Frank aproveitou a luz dos holofotes para passar uma mensagem. Deixou o mundo a falar de si quando apareceu no Panorama Festival, em Nova Iorque, com uma t-shirt contra a descriminação que dizia: “Why be racist, sexist, homophobic, or transphobic when you could just be quiet?”.

A t-shirt é da Green Box Shop, uma loja online fundada por Kayla Robinson, que aos 18 anos quer mudar o mundo da moda com uma linha de roupa focada nas mensagens sociais. Desde o concerto de Frank Ocean que toda a gente quer uma t-shirt igual à sua e Kayla confessa à Dazed que gerir o negócio nos últimos dias tem sido “absolutamente louco” (só no dia seguinte ao concerto, a Green Box recebeu mais de 5.500 pedidos de encomenda). Quando lhe perguntaram o que a inspirava, respondeu que como uma rapariga negra e gay, não se pode dar ao luxo de ignorar as injustiças sociais que acontecem em todo o mundo de forma quase sistemática. Diz que quer educar as pessoas acerca dos estigmas e estereótipos que marginalizam o outro.

Não faz ideia como Frank Ocean conseguiu uma t-shirt da sua linha, mas agradece e espera que tenha sido o início de, mais do que uma moda, uma consciencialização atenta às mensagens que quer passar.

Mas como tudo o que costuma ser mediatizado tem tendência para cair em polémica, o The New York Times refere que a frase não é da autoria da Green Box Shop, mas sim de Brandon Male, um estudante norte-americano que a terá tweetado em 2015. Kayla reconheceu entretanto que a frase não era criação sua, mas o caso escalou quando Brandon pediu reconhecimento e recompensa pela assinatura e a fundadora da Green Box lhe enviou apenas 100 dólares.

O caso incendiou a discussão sobre propriedade intelectual. Kayla Robinson acabou por reconhecer que agiu por impulso, antes de ter feito as contas antes de conhecer os números das vendas e confirmou ao New York Times que já falou com Brandon Male, percebe perfeitamente o seu lado, e que já combinaram como vão dividir a receita.

O que é certo é o objectivo de Frank Ocean parece ter ficado para segundo plano para grande parte da imprensa norte-americana. Nas redes sociais, a acção do artista foi muito aplaudida e para muitos fãs, foi quase como um confirmar do regresso completo do músico.

Esta não é a primeira vez que Frank Ocean levanta a voz na luta contra a discriminação. Depois do tiroteio que matou 49 pessoas numa discoteca gay em Orlando, no ano passado, Ocean escreveu um ensaio no seu blog onde expressava sua tristeza e frustração sobre os motivos que continuam a estar por trás de ataques do género. Nele fala sobre sua primeira experiência com a homofobia, protagonizada pelo seu pai, que acabou por o processar em mais de 14 milhões de dólares pelas acusações, dizendo que o episódio que Frank relata no post é inventado.