Neymar, o novo homem de ouro

Se Neymar fosse de ouro de 24K valia 235 milhões

 
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222 milhões de Paris para Barcelona, 300 milhões de euros em salários, outros tantos milhões em comissões, intermediações e agenciamentos. Será esta a realidade da maior transferência de um jogador de futebol mundial. Neymar Jr ficará na história como o homem que pulverizou todos os recordes, dobrando a segunda transferência mais significativa de sempre, Paul Pogba da Juventus para o Manchester United.

Os números são astronómicos para o cidadão comum, contudo no mundo do futebol os milhões têm um valor relativo. Primeiro, os jogadores são vistos e detidos como ativos financeiros dos clubes, e como tal movimentam-se numa bolsa de valores com valorizações e desvalorizações. Segundo, a rentabilização da transferência irá acontecer mais cedo do que o final do contrato de Neymar. Basta recordar que as camisolas vendidas de Ronaldo no Real Madrid já pagaram a sua transferência dezenas de vezes. Em terceiro e último lugar surge a variável mais incerta, o êxito desportivo do clube. Se o Paris Saint Germain conquistar a liga dos campeões(o grande objetivo dos franceses nesta década), Neymar foi a pedra de toque e uma jogada de mestre por parte dos responsáveis do gigante francês.

Os milhões de euros sempre foram relativizados no futebol, todavia os últimos anos tornaram o dinheiro mais barato. A entrada de investidores de latitudes distantes em clubes como o Chelsea, Manchester City, PSG, Mónaco, Milan ou Inter de Milão deram corpo à expressão novos ricos e consequentemente permitiram às equipas de futebol possuir os melhores jogadores do mundo por valores inflacionados. “O jogador vale o que o mercado der por ele”, dizem alguns comentadores do fenómeno, contudo o mercado vive hoje numa bolha que será difícil prever quando poderá rebentar.

Se o capital fresco de investimento estrangeiro é um factor decisivo, o dinheiro obtido pelos clubes em matéria de direitos televisivos é outro pilar decisivo no investimento do reforço das equipas. A Liga Inglesa surge como o paradigma de uma organização estruturada e que ano após ano consegue, através da centralização de direitos, melhorar a fatia do bolo que cabe a cada clube. Para termos uma ideia, o Chelsea, campeão em título, encaixou esta temporada cerca de 173 milhões de euros, equivalente a mais de 3/4 da transferência de Neymar. Em Espanha o paradigma é idêntico com Barcelona e Real Madrid a garantir somas desta magnitude. Até em Portugal, Benfica, Porto e Sporting conseguiram fechar acordos estratosféricos com operadoras televisivas, muito superiores aos atualmente existentes.

Os grandes clubes têm mais dinheiro. Os jogadores custam mais dinheiro. As vendas realizam-se por mais dinheiro. A bolha do futebol subiu um ou mais degraus. Neymar é apenas a ponta mediática de um mercado que se pode tornar regra nas próximas janelas de transferências. E atenção, a bola de neve devido à transferência de Neymar vai acontecer e quem for apanhado nela será igualmente envolvido num processo de muitos milhões. Não seria surpreendente que a segunda maior transferência de sempre surgisse após a primeira maior e assim sucessivamente.

Se Neymar fosse em ouro de 24K valeria 235 milhões

A escalada das cifras no mundo do futebol é uma realidade a que todos assistimos mas numa escala que nos custa imaginar. Atendendo aos 68kg que reportagem as estatísticas de Neymar e ao preço do ouro de 24 k (quilates) num conversor online, Neymar custaria qualquer coisa como 235 milhões de euros se fosse feito dessa que é uma das matérias primas por definições mais valiosas. Noutras comparações e, ainda mais elucidativas e usando como base o valor de 222 milhões de euros – que será apenas parte do total da operação – vemos que Neymar custará ao Paris Saint German mais 13 Milhões de Euros do que custa o Ministério da Cultura ao Estado, ou menos 22 milhões do que os disponibilizados pelo governo para apoiar start-ups.

Para se ter noção do absurdo – permitam-nos a expressão – basta dizer que a transferência de Neymar daria para construir, sem problema, cerca de 40 casas com tijolos de edição limitada Supreme ou produzir 80 vezes o tríptico Mil e Uma Noites realizado por Miguel Gomes e que o ano passado encantou na seleção paralela do festival de Cannes.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!