O movimento para acabar com graffitis de suásticas em Berlim

Foi no principio deste mês que o grupo publicitou a sua causa e revelou o seu objecto: mostrar aos racistas que estão a abusar do graffiti.

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Com o crescimento dos movimentos de extrema direita por todo o mundo, a reação, incluindo das autoridades, tem dificuldade controlar a sua expressão. Em fóruns, redes sociais, manifestações ou mesmo nas paredes das cidades somam-se as mensagens e os símbolos de apologia nazi ou racista. Em resposta a esta tendência, em Berlim, um grupo de activistas e artistas de rua começou o contra-movimento #PAINTBACK.

Foi no principio deste mês que o grupo publicitou a sua causa e revelou o seu objecto: mostrar aos racistas que estão a abusar do graffiti. Ibo Omari, o fundador do movimento, dono de uma loja de graffiti e membro da organização para jovens imigrantes “The Cultural Heirs”, acrescenta em entrevista à Thelocal: “[O graffiti] é uma cultura que nos moldou de uma forma positiva e que dá oportunidade aos jovens de se expressar criativamente para que não acabem nas ruas.”

A missão de “embelezar” suásticas fica assim a cargo de Ibo e de uma equipa de jovens colaboradores que se dedicam a subverter as cruzes de apologia ao regime nazi. Dá para tudo, aproveitando como base a falta de jeito dos nacionalistas para transformar cruzes em mosquitos, corujas, cubos de rubik, homens aos beijos – como o jovem de 17 anos Klemens Reichelt diz na mesma entrevista: “Não é dificil ter ideias.”

O projecto que está a ganhar tração começou por pura coincidência quando um residente do bairro de Schöneberg se deslocou à loja de Ibo para comprar latas para “tapar uma suástica no jardim infantil ali perto”. Ibo pegou na deixa e deu-lhe outra organização.

O grupo, liderado por Omari, também ele filhou de pais refugiados do Líbano, opta sempre por imagens com uma conotação positiva, apologista da diversidade e às vezes provocante para os autores dos símbolos originais.

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