Sketch For Syria: Siza Vieira e outros arquitectos desenham a reconstrução de um país destruído

Além de Siza, participaram neste projecto outros quatro arquitectos portugueses.

Sketch For Syria
 
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A guerra civil que se arrasta há vários anos e que não parece ter fim destruiu uma boa parte da Síria, deixando cidades como Alepo praticamente irreconhecíveis. Com casas, escolas e outras infra-estruturas destruídas, milhares de pessoas abandonaram o país. A reconstrução do país já começa a ser pensada e executada. Um projecto de arquitectura, iniciado em Veneza e que conta com a participação de Álvaro Siza Vieira e de outros arquitectos portugueses, quer dar o seu contributo.

Sketch For Syria foi lançado por Marco Ballarin e Jacopo Galli a partir da universidade de arquitectura de Veneza – Università Iuav di Venezia. O convite é aberto a todos os que queiram traçar e partilhar possíveis cenários de reconstrução da Síria. No projecto, já participaram 150 arquitectos de 26 países – entre eles, arquitectos portugueses: Ricardo Bak Gordon, Guilherme Machado Vaz, Francisco Aires Mateus e Manuel Aires Mateus, além do supra-referido Siza Vieira.

O contributo de Álvaro Siza Vieira
O contributo de Francisco Aires Mateus

Os contributos chegaram em blocos de desenho, concebidos especialmente para esta iniciativa, que qualquer pessoa pode adquirir online ou imprimir em sua casa. Salma Samar Damluji, do Líbano, Beals and Lyon, do Chile, Paredes y Pedrosa, de Espanha, Marco Ferrari e Benno Albrecht, de Itália, Loopo Studio, da Grécia, Peter Wilson, da Alemanha, Philippe Rham, de França, e Sean Godsell, da Austrália, são outros dos arquitectos envolvidos no Sketch For Syria.

De Alepo, Damasco Hama, Latakia e Tartus – tudo cidades sírias –, chegaram 52 cadernos, “mostrando a força pacífica da arquitectura”, segundo os organizadores. O projecto já resultou numa exposição – entre Janeiro e Fevereiro deste ano, em Veneza – e agora procuram-se espaços para acolher novas exposições.

“O valor positivo da iniciativa é a consciência sobre o significado real do processo de reconstrução: a capacidade de imaginar um possível futuro a partir dos escombros da guerra. Muitos arquitectos deixaram uma marca: retratando viagens passadas ou imaginárias, rastreando hipóteses sobre o futuro, pensando sobre o drama de refugiados e migrantes, optando pela provocação artística, transformando os seus lápis em armas pacíficas”, dizem os organizadores.

No site do Sketch For Syria, é explicado que o objectivo é distribuir mais de mil cadernos e que cerca de 500 personalidades foram convidadas a participar na iniciativa. “Podes simplesmente desenhar as tuas ideias ou escrevê-las, ou adicionar recortes de jornais, fotografias e impressões. Envia-nos todos os materiais para o endereço fornecido ou digitaliza e partilha connosco na nossa página de Facebook”, lê-se.

A exposição em Veneza

Em Julho, no âmbito do Sketch For Syria, foi desenvolvido um workshop dentro da própria universidade de Veneza, que colocou 1.341 estudantes a trabalhar no tema da reconstrução da Síria, durante o mês de julho. Os trabalhos, que já foram mostrados em exposição, estão agora a ser reunidos numa série de livros que serão apresentados em Outubro.

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