Benjamim e Barnaby Keen juntos e em terra firme

Duas pessoas nascidas em 1986 juntaram-se para fazer um disco. Na semana passada tocaram-no no Musicbox e a Vera Marmelo fotografou.

 
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Duas pessoas nascidas em 1986 juntaram-se para fazer um disco. Lançaram-no em Maio com o nome do seu ano de nascimento e, depois de um Verão bem preenchido, foram na sexta-feira passada tocá-lo pela primeira no Musicbox, em Lisboa.

Sala cheia para ver Benjamim e Barnaby Keen no mesmo palco. Dizem que se conheceram em 2012 num cinema de Brixton, no sul de Londres, e selaram amizade a partir do gosto comum por um disco de Chico Buarque. Benjamim é português e canta na sua língua natal desde que deixou cair o alter-ego Walter Benjamim. Já percorreu Portugal de lés a lés para apresentar em 33 paragens o seu Auto-Rádio e, assim, conseguir concretizar a mais longa digressão de que há memória na história da música portuguesa. Barnaby Keen é inglês; além de mentor e membro de projectos como Flying Ibex e Electric Jalaaba, colaborou com nomes como Andreya Triana, Kate Tempest, Hudson Taylor ou Bastille. Viveu no Brasil durante seis meses e foi então que descobriu o amor pelos mestres do samba e da bossa nova e sobretudo pela língua portuguesa.

No Musicbox, fizeram o mesmo exercício de partilha que praticam em 1986Benjamim faz coros em inglês das canções de Barnaby e este empresta o seu sotaque brasileiro quebrado para fazer vozes em português nas canções de Benjamim. Os dois tocam quase tudo nos temas um do outro, escolhendo o melhor das capacidades de cada um, seja no saxofone, no piano ou na bateria.

O concerto percorreu todos os temas do disco, passando pelos singles “Dança Com Os Tubarões”, “All I Want”, “Warm Blood” e “Terra Firme”; no final, já em formato encore, houve tempo para duas surpresas – uma versão em português de uma música inglesa e “Auto-Rádio”, tema título do último e único disco de Benjamim.

Fotos de: Vera Marmelo

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