A Fábrica de Nada, premiado filme de Pedro Pinho, vai ser debatido pelo país

Depois de Cannes, a primeira longa-metragem de Pedro Pinho chega às salas portuguesas.

 
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A Fábrica de Nada convenceu os críticos na última edição do festival de cinema de Cannes e chegou esta quinta-feira às salas de cinema portuguesas. Até dia 1 de Outubro, o Cinema IDEAL, em Lisboa, preparou uma série de debates sobre a ficção que espelha a realidade e que fala da crise económica e da importância do trabalho.

A Fábrica de Nada, filme interpretado por actores e não actores, segue a vida de um grupo de operários que tentam segurar os postos de trabalho, através de uma solução de autogestão colectiva, e evitar assim o encerramento de uma fábrica. É um convite para repensar o papel do trabalho num tempo em que a crise se tornou a forma dominante de governo, um hino à impotência destituinte e um musical lamentável.

Na sinopse lê-se:

Uma noite um grupo de operários percebe que a administração está a roubar máquinas e matérias-primas da sua própria fábrica. Ao decidirem organizar-se para proteger os equipamentos e impedir o deslocamento da produção, os trabalhadores são forçados – como forma de retaliação – a permanecer nos seus postos sem nada que fazer enquanto prosseguem as negociações para os despedimentos. A pressão leva ao colapso geral dos trabalhadores, enquanto o mundo à sua volta parece ruir.

É a primeira longa-metragem assinada por Pedro Pinho, mas o filme foi construído em conjunto com Luísa Homem, Leonor Noivo e Tiago Hespanha, a partir de uma ideia de Jorge Silva Melo e da peça de teatro L’Usine de Rien, da norueguesa Judith Herzberg.

Pedro Pinho mostrou a sua A Fábrica do Nada pela primeira vez em Maio passado em Cannes, onde recebeu o prémio da Federação dos Críticos de Cinema.

O filme terá estreia comercial em França, Espanha, Reino Unido, Sérvia, Croácia, Bósnia, Kosovo, Suíça, Brasil, Argentina e China. Tem ainda confirmada exibição em mais de 50 festivais dedicados até ao final do ano, nomeadamente em Londres, Rio de Janeiro, Busan, Viena, Sevilha, Argentina, México, Chile e República Checa.

A Fábrica do Nada vai ser debatido de Norte a Sul do país. Uma grande parte destas sessões especiais acontecerá no Cinema IDEAL, na capital. A saber:

  • sexta, 22 de Setembro, às 21 horas; com António Guerreiro, crítico e ensaísta, e ainda Pedro Pinho;
  • sábado, 23 de Setembro, às 16 horas; com Rita Rato, deputada do PCP, e ainda João Gusmão e Joana Cunha Ferreira;
  • domingo, 24 de Setembro, às 16 horas; com José Neves, historiador, e ainda Luísa Homem e Tiago Hespanha;
  • sexta, 29 de Setembro, às 21 horas; com Manuel Carvalho da Silva, sindicalista, e ainda Pedro Pinho;
  • sábado, 30 de Setembro, às 21 horas; com António Mariano, presidente do Sindicato dos Estivadores, e ainda Tiago Hespanha;
  • domingo, 1 de Outubro, às 16 horas; com Mariana Mortágua, deputada do BE, e ainda Tiago Hespanha.

Também em Lisboa, o Espaço Nimas tem preparada uma sessão especial para sexta, 22 de Setembro, com Pedro Pinho, Tiago Hespanh e a restante equipa e actores.

Em Coimbra, o Alma Shopping vai receber no sábado, 23 de Setembro, às 18h15, Tiago Hespanha e Andres Spognardi (investigador do Centro de Estudos Sociais, economista). Já na quarta, 27 de Setembro, o filme vai ser exibido com a presença de Pedro Pinho e Tiago Hespanha.

No Porto, está marcada uma sessão especial no Campo Alegre para domingo, 24 de Setembro, às 18 horas. Em Vila do Conde, será no mesmo dia, mas às 21 horas, no Teatro Municipal. O Theatro Circo, em Braga, contará na segunda, 25 de Setembro, às 21h30, com a presença de Pedro Pinho e Adolfo Luxúria Canibal, poeta e músico. Sessão dupla em Viseu: terça, 26 de Setembro às 21 horas; e sábado, 30 de Setembro, às 16 horas.

Rumando a sul, o Cinema Charlot de Setúbal acolhe na terça, 26 de Setembro, Pedro Pinho e Camilo Mortágua, militante antifascista e revolucionário. Todas as sessões especiais serão anunciadas neste evento de Facebook.

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