Os conselhos de Dev Hynes e Philip Glass para ti

A dupla improvável sentou-se para comparar trabalhos e conversar sobre a vida de artista.

À primeira vista, Devonté Hynes e Philip Glass podem parecer opostos musicais. Hynes, britânico de 31 anos, é o produtor e compositor, por trás de Blood Orange, cuja lista de colaborações vai de Solange a Carly Rae Jepsen. Glass, é um nova-iorquino de 80 anos, que escreve óperas e bandas sonoras de filmes, um dos compositores mais influentes do final do século XX.

Mas uma conversa gravada no apartamento de Hynes em Chinatown, Nova Iorque, mostra que – como em todas as histórias – o que os une é bem mais que aquilo que os separa. Dev assume os comandos da entrevista feita para a NPR – National Public Radio dos EUA, no seu sótão. É lá que o britânico tem uma fotografia de Glass sentado ao piano.

Percebemos ao longo do vídeo que Hynes é fã do compositor e que descobriu a sua música quando ainda era um adolescente em Londres que comprou o álbum Glassworks de 1982 pela força da imagem de capa. Diz que ficou completamente transformado depois de o ouvir e que as influências de Glass na sua música são hoje mais que evidentes, como nas marimbas de “Best to You” ou o início luminoso de “Better Than Me.” Este ano, o músico até tocou excertos do solo de piano de Glass em Metamorphosis num concerto para a rádio de streaming SiriusXM.

Foi também à frente de um piano que compararam a sua vida e obra, trocaram histórias sobre como é para um jovem mudar-se para Nova Iorque, sobre a solidão do trabalho introspectivo de um músico e a luta que travaram para crescer profissionalmente. Falaram até do musical Hamilton, do papel da arte na sociedade e, passados 90 minutos (que no vídeo foram reduzidos a 6), perceberam que aquilo em que mais se assemelham é no dedo especial que ambos têm para as colaborações. Glass trabalhou com nomes como Ravi Shankar e Paul Simon, dezenas de cineastas, dançarinos, poetas e artistas visuais. Hynes também se mexe bem. De Sky Ferreira, a FKA Twigs, Haim, à bailarina de balet Maria Kochetkova.

Juntos deixam a ideia de que aquilo que mais os une é essa vontade de deixar que de algo desconhecido floresça numa nova ideia. Talvez por isso mesmo, dois músicos tão distintos, com 50 anos de diferença, se tenham juntado para nos brindarem com a sua sabedoria e nos deixarem a imaginar uma colaboração entre eles. Faria todo o sentido. Tudo isto num vídeo que podes ter a certeza que vale a pena.