A História deu tréguas: resolvido o mistério da construção da mãe das Pirâmides

No tempo em que as gruas eram os braços dos escravos e os carrinhos de mão as suas costas, os egípcios tiveram de se aliar à grande força da Natureza – o rio Nilo

construção Pirâmides de Gizé

Já lá vão mais de 4000 anos desde a construção das Pirâmides de Gizé – Quéops, Quéfren e Miquerinos. A necrópole é a mais antiga maravilha do mundo, demorou apenas duas décadas a ser edificada e foram durante anos a maior estrutura feita pela mão humana.

A incógnita, que à semelhança de uma névoa branca estava envolta na construção da infraestrutura, correspondia ao transporte de mais de 170 mil toneladas de pedra calcária para o local. As minas eram relativamente próximas, mas alguns dos blocos de granito, cujo peso teria várias toneladas, foram carregados por mais de 800 km.

O mistério da edificação do túmulo do rei Khufu, que trouxe vários desacordos entre os especialistas, revelou a sua pista final com a descoberta de um papiro escrito por Merer, o responsável pela obra. Pierre Tale, arqueólogo que passou os últimos quatro anos a tentar decifrá-lo, afirma que “desde o primeiro dia tornou-se evidente que tínhamos em nossa posse um dos mais antigos papiros algum dia encontrados”.

Escondido nas ruínas de Gizé juntamente com escombros de barcos e vestígios de canais de água, e descoberto pela equipa de arqueólogos de Mark Lehner, o papiro continha indicações anotadas por Merer de este que teria à sua disposição 40 marinheiros de elite e milhares trabalhadores treinados, cujo propósito era a transportação dos 2,3 milhões de pedras para a construção das pirâmides.

Como era feito o transporte das pedras? Lehner explica: “Conseguimos criar um esboço da bacia do canal central, que julgamos ter sido a área primordial de descarga [dos materiais] na base do planalto de Gizé.”

Os egípcios construíram canais gigantes, que segundo Merer era um empreendimento que iria mudar paisagens, desde a pedreira até perto da base da pirâmide, onde se prosseguia o carregamento por terra. Através do desvio do rio Nilo e da construção de uma rede de canais aquáticos, o povo dos hieróglifos apanhou boleia das águas para edificar a História sobre as rochas.

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