#MeuCorpoNãoÉPúblico: o Brasil contra o assédio

Campanha nasce inspirada nos casos de assédio sexual em transportes públicos.

 
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Em Portugal, é difícil imaginar que o assédio sexual nos transportes públicos seja sequer um assunto, quanto mais que é uma preocupação real e diária. A campanha #MeuCorpoNãoÉPúblico nasceu no seguimento de um episódio ocorrido a 29 de Agosto, em São Paulo. Num autocarro, um homem masturbou-se e ejaculou no pescoço de uma passageira que seguia no banco da frente. Foi levado pela polícia logo após o sucedido e as autoridades acabaram por apurar que o homem já tinha sido indiciado 5 vezes pelas autoridades por suspeita de violação, sem nunca ter ido a julgamento. 

No dia seguinte à prisão, após uma audiência, o homem foi solto pelo juiz que considerou que o acto no autocarro não configurava uma violação mas sim uma “importunação ofensiva ao pudor” por não ter havido”constrangimento nem violência”. Quatro dias depois repetiu o acto e foi solto de novo.

Acordar no autocarro com a ejaculação de um estranho é tão constrangedor que toda a ironia do caso acabou por o levar para o tribunal popular dos nossos tempos: as redes sociais. Soube-se depois que só nessa semana tinha acontecido um caso idêntico também em São Paulo e que, noutro contexto, a escritora Clara Averbuck foi violada por um motorista da Uber. Estes são os casos que se sabem. Em qualquer publicação brasileira sobre o tema ficamos a perceber que casos como estes se repetem diariamente.

Por todo o lado, pessoas indignadas pelo caso pedem uma revisão da lei brasileira que permita julgar com justiça casos como estes e denunciam outros, com esperança que a dimensão do tema chame à razão quem de direito. #MeuCorpoNãoÉPúblico é da autoria das mulheres do Mad Woman, um grupo fechado no Facebook para mulheres criativas e publicitárias. Actualmente tem mais de 1800 subscritoras, que discutem formas de intervir, com criatividade, sobre a situação da mulher na sociedade e no mercado de trabalho.

No seguimento dos episódios de final de Agosto, organizaram protestos e acções activistas mas concentraram esforços no tumblr Meu corpo não é público. Lá disponibilizam imagens em alta resolução que qualquer pessoa pode descarregar para partilhar ou imprimir e colar nas ruas do país. O projecto é colaborativo e conta com trabalhos de dezenas de mulheres.

Para te juntares a esta causa – que é uma responsabilidade global – deixamos-te alguns dos cartazes em baixo. Como dizem as criadores, são “pósters em alta resolução pra você salvar, imprimir, colar no busão, no ponto, e na cara da sociedade.”

 

 

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!