De joelhos contra Donald Trump

O Presidente norte-americano, Donald Trump, comprou uma guerra com duas das principais ligas desportivas profissionais nos Estados Unidos.

Membros da equipa Washington Redskins ajoelharam-se e deram as mãos no último domingo (foto de: Brad Mills/USA Today Sports/Reuters)
 
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A polémica começou quando vários jogadores de futebol americano se ajoelharam durante o hino nacional no início dos jogos, em protesto pela violência racial contra os negros.

Na sexta-feira, em reacção aos episódios num comício no Alabama, Trump insultou os atletas que escolheram não ouvir o hino nacional de pé, e chamou-lhes “filhos da mãe”, declarando que deviam ser “despedidos”“Não adoravam ver um destes proprietários de equipas da NFL, quando alguém desrespeita a nossa bandeira, dizer ‘Tirem aquele filho da mãe do campo imediatamente. Está despedido’?”, perguntou o líder norte-americano.

Estes protestos durante o hino nacional no futebol americano começaram em 2016 pelo jogador Colin Kaepernick. Vários atletas, tanto negros como brancos, mas sobretudo afro-americanos, têm seguido o exemplo e ouvido o hino com um joelho no chão.

O primeiro protesto de Colin Kaepernick, em Agosto de 2016 (foto de: Reuters)

O segundo episódio da polémica chegou vindo de outra modalidade. Stephen Curry, basquetebolista-estrela-maior dos campeões Gold State Warriors, revelou que ia votar contra a ida dos Warriors à Casa Branca, na qualidade de vencedores do campeonato. “Não apoiamos o nosso Presidente – as coisas que disse e as coisas que ele não disse nos termos correctos, não apoiamos isso. E ao agir e não ir, talvez isso inspire algumas mudanças sobre o que toleramos no nosso país, o que é aceitável e aquilo que devemos ignorar”, disse Curry.

No sábado, o Presidente dos Estados Unidos escreveu no Twitter que Curry já não estava convidado a visitar a Casa da Presidência norte-americana.

Mais tarde, os Gold State Warriors confirmaram que não vão visitar a Casa Branca: “O Presidente Trump tornou claro que não fomos convidados.”

Os dois episódios já motivaram reacções de peso. A NFL acusou Trump de “uma infeliz falta de respeito” pela liga, a modalidade e os jogadores (e de “não compreender a esmagadora força positiva que os clubes e os jogadores representam nas comunidades”) e, por isso, dezenas de jogadores uniram-se em protesto durante o hino nos jogos de passado domingo.

Da parte da NBA, as reacções mais fortes foram de LeBron James, quatro vezes eleito melhor jogador do campeonato e um dos atletas mais bem pagos do mundo, e do antigo jogador dos LA Lakers e lenda do Basquete, Kobe Bryant:

O ajoelhar tem sido repetido por estrelas de todas as áreas. Contestam as palavras de Donald Trump e acusam-nas de ter como base uma questão racial e não tanto patriótica como o próprio alega. Entre os vários artistas, por exemplo, que têm dado eco às acções dos atletas contam-se Eddie Vedder dos Pearl Jam, Roger Waters, Dave Matthews, Pharell Williams e Stevie Wonder.

O protesto tem-se espalhado pelas redes sociais através da hashtag #TakeAKnee.

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