Quem são os Rohingya e porque estão a fugir de Myanmar?

Desde o mês passado, cerca de 420 mil rohingya já fugiram de Myanmar em direcção ao Bangladesh.

Foto de: Mathias Eick, EU/ECHO, Rakhine State, Myanmar/Burma, September 2013
 
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Conhecidos como um povo sem terra e a “comunidade mais perseguida” em Myanmar, os Rohingya são uma minoria muçulmana que se estabeleceu, há séculos, naquele país, onde 90% dos residentes é budista. Desde o mês passado, cerca de 420 mil rohingya fugiram de Myanmar em direcção ao Bangladesh. Os ataques à minoria muçulmana continuam, quem deixa o aviso é a Amnistia Internacional.

Desde 1940 que os Rohingya são perseguidos, sobretudo pelo exército de Myanmar, onde são considerados pelo governo como imigrantes ilegais e como tal não podem viajar, aceder ao mercado de trabalho, a assistência médica e a educação. Para além disso, são alvo de discriminação recorrente.

A 25 de Agosto, depois de um ano de perseguições, a situação agravou-se e, desde então, 420 mil rohingya viram-se obrigados a fugir para o Bangladesh, país vizinho. Mais de 345 mil encontram-se em abrigos provisórios e 41 mil em campos de refugiados, segundo a IOM – Inter Sector Coordination Group.

Segundo a ONU, o Exército birmanês está a levar a cabo uma “limpeza étnica”. Os relatos de alguns sobreviventes que caminharam em direcção ao Bangladesh descrevem acções de captura, assassinatos em massa nas ruas, violência sexual e destruição das habitações de família, sobretudo no estado Rakhine.

Criticada por se manter em silêncio, a líder de Myanmar e nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, falou pela primeira vez ao seu país sobre a escala de violência contra a minoria muçulmana na passada terça-feira. No seu discurso, a líder birmanesa assegurou ajuda a todos os rohingya que tenham fugido para o Bangladesh a pé ou de barco e que tenham vontade de regressar. “Não desejamos que Myanmar se divida entre crenças religiosas”, acrescentou.    

Depois do discurso de Aung San Suu Kyi, a ONU declarou que vai investigar as acções do Exército birmanês contra a minoria. Ao contrário das declarações da líder da antiga Birmânia, imagens de satélite da Amnistia Internacional, divulgadas este sábado, comprovam que os ataques continuam.

Existem mais de um milhão de rohingya naquela nação. No final do ano passado, o Arsa, um grupo ligado à luta pela autodeterminação da minoria muçulmana, iniciou ataques a postos de segurança no país, matando 12 agentes. As autoridades birmanesas reconheceram os ataques como acções terroristas.

Não é só o Exército que está acusado de manter a crise humanitária. Também a maioria budista do país é apontada por atacar os muçulmanos residentes. Na passada quarta-feira, no estado Rakhine, um grupo terá mesmo bloqueado a passagem a uma remessa de ajuda humanitária da Cruz Vermelha, destinada aos rohingya que ainda permanecem no país. Uma situação que foi classificada como um “incidente” pelo porta-voz da instituição.

A crise de violência e perseguição já motivou protestos por parte de organizações internacionais e foi criada, inclusive, uma petição que pretende a retirada do prémio Nobel da Paz a Aung San Suu Kyi e que conta já com mais de meio milhão de subscrições.

Texto de: Judite Rodrigues
Editado por: Rita Pinto

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